O ensino de hoje

O ensino de hoje

COLÉGIO SANTA MARIA

01 Julho 2016 | 07h30

Autoria: Anibal Soares

Outro dia, li um artigo sobre a Finlândia, primeiro país a abolir as disciplinas na escola. Não gosto de entrar em discussões pela internet, mas não pude deixar de ver os comentários de várias pessoas que criticavam o sistema atual em nosso país. O próprio artigo citava que, para falar sobre a segunda guerra mundial, estariam juntos professores de Matemática, Geografia e História. Como assim, professor de Matemática, se não há disciplinas? Por que não dizer “professores polivalentes”, então?

Fui pesquisar sobre o sistema de ensino em tal país e verifiquei alguns entraves em relação ao nosso sistema. Primeiro, o professor é altamente remunerado e incentivado a estudar e aprimorar seu conhecimento. Segundo, o ensino é público do início ao fim. Público não significa gratuito. Há grande interesse de jovens se tornarem professores e esta profissão é uma das mais valorizadas e disputadas. O número de alunos por sala também não ultrapassa trinta. Não há vestibular para ingresso nas universidades, pois há vagas para todos.

Lembrei-me do início deste ano, quando acompanhamos várias escolas públicas fecharem e outras tantas iniciarem o ano com mais de 60 alunos por sala. Refleti sobre as diferentes regiões do país e na escassez de mão de obra qualificada, de recursos humanos e financeiros e cheguei à conclusão que estamos longe de sermos o primeiro mundo na Educação. Mas também reduzi meu espaço amostral e me limitei ao Colégio Santa Maria, onde trabalho. Temos aulas interdisciplinares, conversamos com professores de outras áreas para sabermos como podemos contribuir.

Dentro da mesma área, Matemática e Física procuram relacionar as matérias, um professor comentando sobre a aula do outro, para que o aluno perceba que função do primeiro grau está relacionada com movimento uniforme, lançamento oblíquo descreve uma parábola, ou seja, função do segundo grau. O professor de Filosofia e a professora de História entendem e discutem fatos ocorridos e o porquê das mulheres não poderem estudar ou discutir ciências por anos.

Na equipe, o que mais discutimos são provas de acesso às universidades, seja ENEM ou vestibular, o número de questões interdisciplinares e como preparar nossos jovens para esta etapa.

Mas estamos preparados? Claro que não 100%, mas nos esforçamos para isso, através de estudos e discussões.

E os alunos, estão preparados? Nem todos, com certeza. Alguns se esquecem de fazer sua parte, que também é estudar e “correr atrás”. Alguns acham que, por estarem numa escola particular, por terem bons professores, a aula basta e será suficiente para transporem o vestibular.

Fácil criticar nosso sistema de ensino e comparar a países de primeiro mundo sem estar inserido na realidade. Comparar é inevitável, ter boas ideias é necessário, mas aproveitar o que se tem da melhor forma possível é indispensável.

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