O brincar em tempos de quarentena

O brincar em tempos de quarentena

Colégio Santa Maria

28 de abril de 2020 | 07h30

Autoria: Karine Ramos e Neta Orgides

“A aprendizagem não é separada, isolada, é o efeito da participação, é a própria participação”. BROUGÈRE, Gilles, 2005, p. 313.

O coronavírus chegou e tivemos que ficar em isolamento social para proteger a vida de todos, mudando nossas rotinas repentinamente. As crianças deixaram de frequentar a escola e permanecem em casa, em quarentena com suas famílias, modificando toda a dinâmica familiar.

Nós, professores, também fomos radicalmente afetados pelos impactos do vírus. Precisamos nos reinventar e buscar estratégias para estar próximos das crianças e de suas famílias pelas plataformas online sem perder nossos valores em defesa da infância, de seus direitos e de uma aprendizagem significativa.

Na Educação Infantil, a aprendizagem se dá essencialmente na relação com o outro, na exploração dos materiais, espaços e ambientes, na pesquisa do que o provoca, no contato com a natureza, na resolução dos conflitos, na experiência vivida na prática, no concreto, no lúdico, no brincar. Tudo isso permeado com muito planejamento, acolhimento, carinho e afeto.

Diante da situação, nosso desejo enquanto educadores do segmento no Colégio Santa Maria é potencializar nossos meios de comunicação, nos aproximar das crianças, fazê-las sentir que estamos perto mesmo distantes. Que possamos trocar olhares que comuniquem que estamos pensando nelas. Desejamos que as crianças se encontrem, se falem e que, por meio das tecnologias, possamos apresentar propostas desafiadoras, significativas e que proporcionem oportunidades de aprendizagem, todas contextualizadas, significativas, tendo como eixo norteador o brincar.

Brincar é um direito fundamental das crianças.  Em seu trabalho “Aprender pela vida cotidiana”, Gilles Brougère (2005) constata que não existe aprendizagem dissociada da prática. Consequentemente, por analogia, cabe aqui afirmar que brincando as crianças aprendem. E se essa aprendizagem acontece na prática, nosso desafio é propiciar que essas relações sejam construídas neste momento no cotidiano familiar.

Desde muito pequenas, as crianças, ainda na fase simbólica, se envolvem com os brinquedos e materiais, explorando, manipulando e fazendo escolhas com eles, na tentativa de construir significados e de se relacionar, uma primeira evidência de interação e participação. A participação requer “ação e conexão”, “tomar parte”, “dar sentido”, “conferir contexto”.

Durante o crescimento, o brincar ganha novos sentidos, novas formas de interação e participação. As crianças desenvolvem novas habilidades e, na interação com outras crianças e adultos, iniciam as imitações. Reproduzem a vida cotidiana à qual estão inseridos.

Essas diferentes modalidades de participação podem assim permitir aprender intervindo progressivamente em atividades mais exigentes em virtude das competências adquiridas. Nessa fase, as brincadeiras de faz-de-conta ganham sentido. As crianças elaboram hipóteses, testam suas ideias, manifestam suas reflexões e ações cada vez mais complexas. Compreendem que existem papéis sociais na cultura da qual fazem parte e que cada papel é importante em nosso meio. A valorização das tarefas adultas é uma motivação, um convite à participação.

Já os jogos com regras para as crianças maiores permitem situações ainda mais elaboradas. Com eles, elas aprendem a ganhar, perder, dialogar, lidar com as frustrações, esperar, compartilhar, criar estratégias. Sentem-se motivadas a querer participar, interagir. Há, portanto, um engajamento na participação que desenvolverá uma aprendizagem.

E neste contexto da importância do brincar, cabe a nós, educadores, oportunizar situações reais de aprendizagens participativas e não meramente transmissivas nessa quarentena. A vida cotidiana é um espaço em movimento de participação e aprendizagem. Possibilitar o engajamento de novas atividades, de propostas desafiadoras, aumenta o potencial de aprendizagem.

Considerando as necessidades do brincar de cada grupo da Educação Infantil do Santa Maria, estamos engajados com o objetivo de oportunizar que o brincar esteja presente no ambiente familiar, garantindo aprendizagem, afeto e diversão para todos.

Theo brincando de sombra após ouvir a história dos Três Porquinhos com sombra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Encontro virtual. As crianças apresentaram suas caixas especiais, com os tesouros que colocaram dentro dela.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vitor Vieira, 5 anos, durante a quarentena tem procurado minhocas no jardim de casa. Ele brinca de cuidar das minhocas, dá comida, banho e as refeições.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Luiza fazendo sua criação a partir da obra “O vendedor de Frutas” de Tarsila do Amaral.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lara brincando de Amarelinha em casa

 

 

 

 

 

 

 

 

Maria Manuela brincando com o irmão de Jogo da Memória das Frutas.

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