Na ponta da língua

Colégio Santa Maria

30 Setembro 2016 | 08h00

Autoria: Claudia Mendes

 

Inglês é uma das línguas modernas mais escolhidas por escolas de ensino básico no Brasil. Por convenção podemos dividi-la em quatro grandes habilidades: a escrita, a leitura, a compreensão auditiva e a fala. Muitas vezes as duas últimas habilidades são as menos desenvolvidas por inúmeras razões: o material adotado não as contempla, ou pela falta de tempo no curso para cobrir todo o conteúdo, por exemplo. Dessa forma, essas duas habilidades e em especial a fala se tornam um tabu para os alunos. E como torná-las algo mais palatável aos jovens? O ensino da pronúncia propicia tanto uma clareza na fala quanto uma melhor compreensão daquilo que outros falam, ou seja, estabelece um canal de comunicação eficiente. Ela pode acontecer aula a aula com pequenos exercícios ou na forma de um curso específico para esse fim.

Na chegada ao Ensino Médio no Colégio Santa Maria, os alunos se depararam com um curso de pronúncia como disciplina optativa. A primeira pergunta sempre é: “Qual a pronúncia adotada, britânica ou americana?” Por isso se faz necessária uma distinção entre pronúncia e sotaque. A pronúncia pode ser certa ou errada. Já sotaque, todos nós temos, e ele é característico de certa região ou de certo grupo de pessoas. O sotaque dos falantes de português no Brasil é diferente dos de Macau, Angola e Portugal. No Brasil existe o sotaque nordestino, o gaúcho, o mineiro etc. e em inglês não é diferente. Existe o sotaque britânico, australiano, americano, irlandês, dentre outros. E dentro dos próprios países existe também uma diferenciação: o “Cockney” e o “Estuary English”, por exemplo, no sul da Inglaterra. O sotaque escocês, talvez seja o mais difícil de entender e imitar. Só mesmo Sean Connery ou Ewan McGregor para entender que “ah dinnae ken”, é o mundialmente conhecido “I don’t know” (Eu não sei).

Porém, num curso de pronúncia, não é possível ater-se a tantas especificidades como nos sotaques. O interesse principal é que os alunos articulem os sons com clareza para que a comunicação possa ser estabelecida eficientemente, ou seja, que tenham uma pronúncia correta. Para tanto, usamos como referência o R.P. (Received Pronunciation), pronúncia mais ensinada e usada internacionalmente. O mais curioso é que o R.P. é falado por apenas 3% da população da Inglaterra.

A boa pronúncia é a chave que nos abre muitas portas, tanto em negociações comerciais como em situações corriqueiras e que pode nos salvar de várias situações embaraçosas. Fico vermelha cada vez que me lembro de cada entrevista de emprego em que pronunciei a palavra “years” errado. Ao invés de informar minha idade minha resposta deve ter soado para o empregador algo como “Tenho 25 orelhas velhas”. Passei quase 30 anos da minha vida falando das minhas orelhas até um amigo escocês me dar um puxão de orelha – desculpe o trocadilho.

A oportunidade de conhecer mais amplamente uma língua, e dominar todas as suas habilidades, além de evitar anos de constrangimento, é claro, é uma experiência muito enriquecedora, pois não se trata apenas de mais uma disciplina na grade curricular. Através da língua nossos alunos poderão se comunicar com o mundo e abrir as portas para o sucesso.