MIGRAÇÕES E FAMÍLIA: ENTRELAÇANDO LUGARES, PESSOAS E MEMÓRIAS

MIGRAÇÕES E FAMÍLIA: ENTRELAÇANDO LUGARES, PESSOAS E MEMÓRIAS

Colégio Santa Maria

20 Agosto 2018 | 08h03

Autoria: Áurea Curti Mello, Fernando Henrique Herculiani e Robson Veríssimo Silva

Os movimentos migratórios foram escolhidos como eixo temático condutor da área de Ciências Humanas do 6º ano do Santa Maria em 2018. A abordagem ocorreu por meio de um conjunto de atividades integradas denominado Projeto Migrações, que teve como foco desenvolver habilidades específicas nos cursos de Ensino Religioso, Geografia e História. Nesse ano de comemorações, o próprio Colégio foi foco de análise.

Na exposição “Família e Memória: Colégio, Bairro e Famílias”, os alunos tiveram a oportunidade de apresentar parte de suas produções e conhecimentos que relacionaram a importância das migrações na constituição da identidade familiar e seus laços com as pessoas e lugares com os quais estão conectados. A proposta explorou os 70 anos da instituição a partir das histórias daqueles que vivem e de alguma maneira se relacionam com esse espaço, tendo as migrações como gancho temático para o desenvolvimento das atividades. A escolha ocorreu porque a história do Colégio nos remete a Charlita, Olivette, Cecilius e Armelia, as quatro irmãs que chegaram à Vila Betânia em 1947 e inauguraram um longo processo migratório que nunca parou. Este movimento e a chegada de outros imigrantes dos mais diversos lugares do Brasil e do mundo transformaram e continuam transformando suas paisagens. Após 70 anos, a Vila Betânia, o Jardim Marajoara, o Taquaral, os condomínios, casas e o comércio conectam-se na mostra produzida pelos alunos, como uma grande família composta por pessoas das mais diversas origens.

As atividades do Projeto tiveram início (e continuam até hoje) ainda no primeiro bimestre, com a realização de um micro censo organizado nas aulas de Geografia e História, e aplicado tanto com pessoas que circulam nas imediações da Escola quanto com funcionários dos diversos setores da instituição. A pesquisa explorou temas relacionados à origem, moradia, transporte e relações das pessoas com o Santa Maria.

Já as famílias dos alunos foram integradas às atividades de Ensino Religioso por meio do Projeto Identidade. Nele os alunos construíram um brasão/bandeira para o sistema paterno, outro para o materno e um terceiro que representa a conexão entre esses.

A partir deles, puderam refletir sobre sua história individual e familiar, na medida em que todas as suas raízes são trazidas à luz com muito respeito, afinal, cada um de nós configura parte de um sistema familiar que vem de muito longe. Para que nascêssemos e chegássemos onde estamos, muitas coisas tiveram que acontecer, e ao olharmos para as gerações anteriores, podemos encontrar uma multidão com toda a história de vida que experimentou. Essa reflexão foi compartilhada com os visitantes por meio de uma oficina de brasões realizada pelos próprios alunos do 6º ano e de uma sequência de pequenas encenações teatrais em que os alunos do 7º ano compartilharam as histórias de vida de seus familiares e antepassados.

Podemos viajar milhares de quilômetros e séculos de história em segundos ao nos debruçarmos sobre nossa história de conexões entre lugares e pessoas que, de alguma maneira, tiveram um papel em nossa existência familiar, ou ainda nos laços que construímos com os outros e com os espaços que fazem parte do nosso dia a dia.

Sendo assim, conectando todos os aspectos da exposição, os alunos do 6º  ano produziram um mapa simbólico, cujo entrelaçamento das linhas que partem e chegam representa a conexão entre nossas raízes, nossas origens, nossas famílias e nossos lugares de origem e de convivência e, finalmente, nossas conexões com todos aqueles que, de alguma maneira, são responsáveis por nos tornarmos nós mesmos.