Mia Couto no Santa Maria

Mia Couto no Santa Maria

Colégio Santa Maria

21 de maio de 2019 | 11h43

Autoria: Tauany Pazini

O Colégio Santa Maria teve a honra de receber a visita do escritor Mia Couto para conversar com os alunos do 8º e 9º ano do Fundamental.

Um expoente da literatura africana, Mia Couto nasceu em 1955 na cidade de Beira, em Moçambique, e é biólogo de formação. Com obras publicadas em 24 países, atualmente é o escritor moçambicano mais traduzido no exterior. Premiado internacionalmente, inclusive com o Prêmio Camões (2013) e com o Neustadt Prize (2014), é membro correspondente da Academia Brasileira de Letras e apresenta uma farta produção. Seu romance “Terra sonâmbula” é considerado um dos dez melhores livros africanos do século XX.

O encontro entre os alunos e Mia Couto foi promovido em parceria com a editora Companhia das Letras, que publica as obras do autor no Brasil. Pelo quarto ano consecutivo, “A menina sem palavra” é trabalhada na disciplina de Língua Portuguesa com os alunos do 8º ano do Fundamental no Santa Maria.

No dia do encontro, o auditório foi preparado e os alunos o aguardavam ansiosamente. Com seu jeito tímido e calmo, Mia Couto falou sobre sua infância introspectiva e como encontrou na escrita a forma de expressar seus sentimentos e seu modo de ver a vida. Contou também um pouco sobre a história de Moçambique, a guerra pela qual o país passou e que durou 16 anos, sobre quando lutou clandestinamente pela independência do país, e sobre o recente desastre que acometeu grande parte de sua cidade natal, Beira, com a passagem do Ciclone Idai.

Quanto à sua escrita, Mia Couto falou sobre neologismo (processo de criação de palavras), lirismo e explicou: “quando eu inicio um conto, tenho uma ideia muito vaga do que vai acontecer, eu prefiro não saber. A história é como se fosse uma entidade, uma pessoa, que vai me contando o que vai acontecer. E essa coisa que eu não sei é algo sobre mim, eu estou me descobrindo nas histórias que vou fazendo”.

Mia Couto é um “escritor da terra”, escreve e descreve as próprias raízes do mundo, explorando a própria natureza humana na sua relação umbilical com a terra. A sua linguagem extremamente rica e muito fértil em neologismos confere-lhe um atributo de singular percepção e interpretação da beleza interna das coisas.

A troca de experiências durante o encontro foi muito rica, tanto para os alunos quanto para o autor, que expressou sua alegria em poder estar no Brasil e compartilhar suas histórias e conhecimentos com os brasileiros, que para ele “é um povo contador de histórias, assim como, os moçambicanos”.

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