Linhas e entrelinhas – contextos de alfabetização do Jardim ao Pré

Linhas e entrelinhas – contextos de alfabetização do Jardim ao Pré

COLÉGIO SANTA MARIA

14 de abril de 2021 | 07h00

Autoria – Equipe da Educação Infantil

Sabemos que na Educação Infantil, quando usamos este termo, temos que ampliar o olhar, desconstruir a ideia de “alfabetização” voltada apenas para a conquista da “leitura” e da “escrita”.

Na primeiríssima e primeira infância, tratamos deste assunto trazendo para a conversa o mundo, as possibilidades que a criança tem de rolar na grama, tomar banho de mangueira, lavar o corpo da boneca, brincar de “meleca na areia”, balançar na “falsa baiana”… e, como diz Elvira Souza Lima, pesquisadora de Desenvolvimento Humano e Neurociência, garantir, na jornada de trabalho ao longo das semanas, momentos para ouvir músicas, histórias, lendas, fábulas, poesias, versos, parlendas, trava-línguas etc.

Estamos falando de experiências que trazem da escuta e da observação a comunicação entre os pares, o envolvimento emocional, o desenvolvimento da memória auditiva, do ritmo, da melodia e da imaginação, a ampliação do acervo cultural. São situações que garantem realizações intimamente envolvidas na apropriação da leitura e escrita. Além de fazerem bem ao ser humano em qualquer idade.

Neste sentido, cuidamos para que a alfabetização (especificamente no ambiente escolar) comece no Jardim I, quando as crianças brincam, por exemplo, com a ciranda “Passa Peneira Menina” e escolhem um verso para ler de memória, imitando o comportamento leitor, passando o dedinho na ficha como se estivessem lendo convencionalmente ou, quando no Jardim II, elegem um livro que gostam e leem com riqueza de detalhes apoiando-se na memória, na imaginação e na criatividade porque foram nutridas. E no Pré, quando brincam de “Você Troca” (Eva Furnari) e começam a descobrir oralmente as rimas, as aliterações e, fonologicamente, percebem os sons das sílabas, sons que foram “vividos” e “brincados” corporalmente, afetivamente e simbolicamente durante toda a Educação Infantil.

Enfim, fazemos questão que a criança experimente um tempo de encontro poético com a curiosidade, com a autonomia e com a possibilidade de ser capaz de ler, falar e escrever o mundo por ter vivido em espaços e territórios de aprendizagens. Assim, ela transforma a “informação” em conhecimento vivo, singular e universal.

 

     

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