Inventando mundo

Inventando mundo

COLÉGIO SANTA MARIA

07 Janeiro 2019 | 07h31

Autoria: Gilberto Soares

 

Em 2018 ocorreu a comemoração dos 70 anos da fundação do Colégio Santa Maria, com a chegada das Irmãs de Santa Cruz em São Paulo. Imbuídas do carisma de Padre Moreau, foram desafiadas a trazer para terras brasileiras o espírito humanizador, solidário e criativo de seu fundador. Assim, a Arte é central no processo de construção de suas obras.

 

Foi um ano intenso, com sete semanas de apresentações de trabalhos e celebrações que apontavam os valores e princípios vividos no cotidiano desta escola. A última semana reuniu as diferentes manifestações artísticas que envolveram a todos nós.

 

O componente de Geografia está no currículo escolar para apresentar aos alunos e alunas a diversidade e complexidade do mundo em que vivem. Permitir que exercitem a alteridade em relação às variadas manifestações humanas e naturais, e que possam se posicionar a partir do que são e de onde estão, entendendo-se como parte, e não, como o centro de um todo. Não é um desafio qualquer, dadas a diversidade e as distâncias.

 

Em um período de redes sociais, as aulas de geografia foram sacudidas pelos infinitos vídeos com visões e opiniões sobre o mundo e o outro. O professor passou a ser questionado mais pelo conteúdo que ensina do que pelas fontes que utiliza. Porém, o conteúdo produzido para as redes sociais não tem o compromisso com a reflexão e a Ciência, apropriam-se da ideia de “verdade da imagem” para entreter, indignar ou aceitar fatos, sem a devida reflexão e crítica metodológica tão exigidas pela Ciência.

Fragmento do curta-metragem sobre bullying produzido por Rafael Cabral, Eduardo De Munno e Ugo Altobello

 

Portanto, mais do que levar imagens para a sala de aula para explicar o mundo, urge pensar com os alunos e alunas as imagens reproduzidas no mundo, incluindo sua produção. Assim, o cinema como arte se torna uma potência para a aprendizagem, permitindo aos alunos e alunas produzirem imagens, compartilharem percepções e transformarem o espaço em que vivem, ao mesmo tempo em que desenvolvem habilidades de criação, de interpretação e de crítica, permitindo-lhes compreenderem-se onde e como estão, e compreenderem outras formas de ser e estar no mundo.

Fragmento do curta-metragem sobre desigualdade de gênero no mercado de trabalho produzido por José Allocca e Olimpia Cunha

 

No primeiro semestre, os alunos e alunas foram desafiados a produzirem um curta-metragem relacionando um tema qualquer de interesse pessoal ao Brasil. Porém, mais do que sair gravando e deixando aplicativos editarem, tiveram que construir argumento, montar roteiro para, no segundo bimestre, produzir e gravar os curtas. O resultado foi bastante positivo, mas um grupo grande de alunos e alunas ainda utilizam e produzem imagens na escola para ilustrar textos escritos, esvaziando a potência expressiva da imagem.

 

Diante deste desafio, no terceiro bimestre, propusemos aos alunos e alunas que fotografassem a experiência do estudo do meio e a partir dele criassem um vídeo-haicai – um vídeo com três cenas que expressassem fragmentos e percepções desta experiência. Percebemos o quão desafiante e envolvente pode ser uma proposta tão simples, cujo resultado foi compartilhado em um delicioso encontro com as famílias na semana de Arte e Linguagens.