Heróis de verdade: o valor de cada um

Heróis de verdade: o valor de cada um

Colégio Santa Maria

16 Outubro 2018 | 07h30

Autoria: Gabriela Herane

Faz parte do currículo da Educação Infantil do Santa Maria trazer diferentes realidades para a sala de aula, a fim de refletir, vivenciar, mudar atitudes, lapidar olhares e agir em prol da sociedade, em qualquer situação que seja, formando cidadãos mais solidários e “humanos”.

A partir do projeto da turma do Jardim II A, “O valor de cada um… qualidades e diferenças”, temos recebido visitas de “Heróis de verdade”, ultrapassando os muros da escola e fazendo-os perceber que existem pessoas como a gente que fazem a diferença no mundo, com suas escolhas, ações, dificuldades…

Recentemente, tivemos o privilégio de receber duas “heroínas de verdade”: Mellina e sua cadela-guia, Hilary. Mellina tem deficiência visual há algum tempo e há quatro anos pode contar com uma companheira muito especial, Hilary, que a ajuda a ver o mundo de outra forma.

As crianças as receberam com muito carinho e Mellina nos contou todo o processo que aconteceu com ela, desde o início de sua dificuldade em enxergar. As crianças já tinham um conhecimento prévio sobre o assunto e sobre a própria Mellina por meio das pesquisas que havíamos feito em classe no Blog Mellina 4 patas pelo mundo, mas muitas outras perguntas foram surgindo:

“Mellina, onde você treinava com a Hilary?”

“Tinha uma quadra no hotel para você ficar com ela treinando?”

“Onde você leva a Hilary para fazer xixi e cocô?”

“Onde a Hilary fica quando você dorme?”

“Onde a Hilary vai quando vocês viajam de avião?”

“Ela foi junto com você nos parques e nos brinquedos da Disney?”

Mellina respondeu tudo com muita atenção e carinho, enquanto Hilary recebia carinhos infinitos das crianças.

Após a visita, as crianças registraram esse momento por meio desenhos, revelando novas e importantes aprendizagens:

“Eu aprendi que enquanto a Hilary está trabalhando não pode mexer nela, porque ela se distrai e quer brincar, e aí a pessoa deficiente visual pode bater em alguma coisa.” – Ana Laura, 5

“Eu aprendi que, quando tira o arreio, pode mexer com a Hilary, mas quando ela está com ele,  não. Eu gostei do óculos dela!” – Manuela, 5

“Eu gostei que a Hilary veio, porque ela ajuda a Mellina e é heroína dela.” – Pedro, 5

“A Mellina passou quinze dias conhecendo a Hilary num hotel para aprender como andar com ela.” – Giovanna, 5

“Eu gostei que a Mellina contou como ela ganhou a Hilary, como é a vida dela com a Hilary, como a Hilary é boa com ela, que a Hilary ajuda muito ela e que ela é uma boa heroína.” – Mateus, 4

Além disso, propusemos brincadeiras para que pudessem vivenciar um pouco como é ser um deficiente visual, por meio de uma atividade batizada de “Criança-guia”, onde uma criança vendava os olhos e a outra a guiava. O espaço escolhido foi o bosque do Colégio, que oferece alguns desafios, como obstáculos com pedras, galhos, folhas, placas, troncos, enfim, algo que possibilitasse confiança e cumplicidade das duplas, além de se colocar no lugar do outro, vivenciando suas dificuldades. Após a brincadeira, realizamos uma roda para as crianças verbalizarem suas sensações.

“Eu senti que fiquei com medo porque a Manuela ‘tava’ me levando para um lugar macio que eu não sabia onde era!” – Sarah, 4

“Eu me senti com muito cansaço!” – Isadora, 4

 “Eu senti medo, porque tinha que descer o morrinho e eu não ‘tava’ vendo!” – Anna Clara, 4

“Eu senti que eu fiquei cego!” – Rodrigo, 4

“Eu senti que o meu cão-guia ‘tava’ indo muito rápido!”  – Ana Laura, 5

“Eu senti uma sensação estranha porque eu ‘tava’ no escuro!” – Manuela, 5

Despertar e identificar sentimentos por meio de vivências reais traz a capacidade de se colocar no lugar do outro. Saber o que sentiria, caso estivesse na mesma situação, é fundamental para o desenvolvimento da empatia.

A capacidade de se conectar com o outro e com aquilo que é externo a nós mesmos é fundamental para a vida em sociedade. A habilidade empática é positiva para o futuro das crianças ao promover a satisfação nos relacionamentos, aumentar a habilidade de superar adversidades, de lidar com diferenças e conflitos e trazer benefícios como um todo para a vida.

Essa foi apenas uma das visitas que recebemos de “Heróis de verdade”. Ainda temos outras, como médico, pessoas que resgatam animais na rua, mergulhador que salva animais marinhos que se prejudicam com os lixos jogados, pessoas que trabalham com moradores de rua, policiais. O mais significativo é que as crianças, mesmo tão pequenas, já percebem como cada um pode mudar o mundo com ações que contribuem para o bem comum, pois todos precisam do outro para viver e conviver, seja em qualquer instância da vida.

Ensinar as crianças a fazer a diferença no mundo é papel de qualquer educador!

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