Gratidão e gentileza andam juntas na Educação Infantil do Santa Maria

Gratidão e gentileza andam juntas na Educação Infantil do Santa Maria

Colégio Santa Maria

27 Setembro 2018 | 09h07

Autoria: Fernanda Miura

Gentilezas na Educação Infantil é uma forma poética de fazer as crianças serem sensíveis às suas atitudes e ao impacto que têm na vida do outro. Quando os alunos e alunas de 4 anos de idade do Colégio Santa Maria experimentam agradecer aos jardineiros pelas lindas flores que convivem dia a dia no espaço da escola, sentem no mesmo momento o impacto que esse agradecimento causa no outro. Vivenciar o que nossas atitudes causam é uma forma de aprender desde pequenos o que é ter empatia, colocar-se no lugar do outro através das relações sociais. O exercício de agradecer, neste caso, valoriza o trabalho de quem cuida do jardim, faz as crianças perceberem o espaço que usam e olharem para o outro com afeto.

 

Como diz Zilma de Moraes Ramos de Oliveira, mestre em educação e doutora em psicologia, “ao imitar o outro, as crianças necessitam captar o modelo em suas características básicas, percebendo-o a partir de sua plasticidade perceptivo-postural, conforme se ajustam afetivamente a ele. Com isso decodificam o conjunto de impressões que captam do outro, experimentando diversas possibilidades de ações no meio ao qual estão inseridas e diferenciando os elementos originais que são trazidos para a situação presente”.

Ao problematizar situações de cuidado do cotidiano, as crianças da turma do Jardim II D aprendem pouco a pouco a valorizar e agradecer o trabalho que os funcionários da Escola têm e de fazer parte desse cuidado. Certo dia, com pressa para terminar o lanche e correr para a hora de brincar no parque, as crianças deixaram a sala de aula bastante suja com embalagens no chão, migalhas de pão, resto de frutas nas mesas etc. Fazê-las pensar sobre o cuidado que devemos ter com o espaço ajudou a valorizar também o trabalho da equipe de limpeza. Ao limparem a sala recolhendo as embalagens e tirando o farelo das mesas, sentiram-se orgulhosos ao ver a diferença da sala antes e depois de limpar.

“Olha! Como a sala está bonita! Foi a gente que fez isso tudo!” – Julia, 4 anos.

“Nossa, dá um trabalhão arrumar! Estou até cansado!” – Matteo, 4 anos.

Ao pesquisar quem são os adultos que gentilmente cuidam da sala  deixando-a limpinha, tiveram uma ideia, como forma de agradecimento: “E se a gente fizer biscoito de leite condensado para dar de presente já que eles cuidam da gente?” – Rafaela, 4 anos.

Ao agradecer o outro também são agradecidos pelo outro. Vivenciar essa relação potencializa a vontade deles de ser gratos e principalmente de perceber em seu cotidiano o impacto que as atitudes do outro tem em sua vida.  “Ao mesmo tempo em que preparamos cidadãos úteis para a sociedade, faremos igualmente nosso máximo para preparar cidadãos para a vida eterna.” Padre Moreau, Carta Circular 36, 1849.

Sentir o quanto é bom quando alguém tem gratidão por você contribuiu muito para aprenderem a dividir os brinquedos e, principalmente, incluir todos na brincadeira.

“Gentileza” tem sido uma palavra mágica! As crianças ouvem essa palavra e a expressão do rosto muda. Quando uma criança puxa o brinquedo das mãos de outra, dizem: “Professora, ela não está sendo gentil!”. Logo, quem puxou devolve o brinquedo e a cena toda é refeita, pedindo com gentileza o brinquedo e negociando o uso. “Por favor, empresta um pouquinho? Eu já te devolvo!”. Na maioria das vezes o brinquedo é emprestado e a expressão é de orgulho. Sentem-se valorizados.

O que vai ao encontro com o seguinte pensamento de Zilma de Moraes: “o campo interpsicológico produzido pelas interações infantis nas brincadeiras, quando a criança e seus parceiros confrontam suas próprias “zonas de desenvolvimento proximal”, nos termos de Vygostsky (psicólogo e pesquisador de desenvolvimento intelectual), leva-os a representar a situação de forma cada vez mais abstrata e a construir novas estruturas auto-reguladoras de ação, ou seja, modos pessoais historicamente construídos de pensar, sentir, memorizar, mover-se gesticular  etc.”