Galileu Galilei – da Física ao Teatro e vice-versa

Galileu Galilei – da Física ao Teatro e vice-versa

Colégio Santa Maria

15 Abril 2016 | 07h30

Autoria: Ednilson Oliveira e Rita Pisano

O verdadeiro inventor do telescópio ainda é assunto de debate – provavelmente foi o holandês Hans Lippershey, porém Galileu, depois de ficar sabendo da existência do instrumento, aperfeiçoou-o em quase dois dias, melhorando sua capacidade de aumento em 30 vezes. Apesar de não ser seu inventor, a importância de Galileu deve-se ao fato dele ter empregado o telescópio para perscrutar o céu e fazer dele um instrumento de uso científico.

Assim, ao apontar para o planeta Júpiter, ele descobre quatro pequenas luas girando à sua volta e com isso percebe que parecia outro sistema solar – um corpo de mais massa que poderia ter satélites ao seu redor. Isso foi uma verdadeira revolução que abriria a mente criativa e inventiva do gênio para questionar o conhecimento vigente de Aristóteles e seu modelo geocêntrico. O modelo copernicano acabava de ganhar força e evidência irrefutável.  Sua nova descoberta é apresentada em 1610 no livro Mensageiro Sideral, mas não seria tão simples assim convencer a Igreja dessa nova descoberta.

Inspirados na história desse grande físico, os alunos do Ensino Médio do Colégio Santa Maria foram convidados a assistir à peça “Galileu Galilei” de Bertolt Brecht, importante diretor e dramaturgo alemão, no teatro Tuca, com direção de Cibele Forjaz e interpretação de Denise Fraga e outros talentosíssimos intérpretes, para posteriormente, no Colégio, participarem de uma roda de conversa com os professores de Física, História e Artes a fim de discutir as conquistas do cientista, o contexto histórico e a linguagem utilizada na montagem.

Bertolt Brecht desenvolveu na Alemanha pós 1a Guerra Mundial um teatro que foi denominado Teatro Épico, cuja função principal seria tornar o espectador ativo durante a apresentação teatral, despertando-o para sua função social e tornando-o capaz de enxergar que os valores que regem o mundo podem e devem ser transformados. Nesse sentido, quando Brecht escolhe trazer a figura de Galileu Galilei para protagonizar uma peça sua, é de transformação da sociedade que ele pretende falar. No texto, Galileu é retratado como um homem comum, que está sujeito aos erros e acertos da vida cotidiana e que vive num contexto dominado por uma ideologia regida pela Igreja. “Vocês trabalham para quê? Eu acredito que a única finalidade da Ciência está em aliviar a canseira da existência humana”, diz o cientista. Na peça, a plateia é convidada a refletir sobre temáticas políticas e existenciais que, além de revirem a época de Galileu, repercutem profundamente na nossa atualidade.

Um dos pressupostos do teatro épico é o efeito de distanciamento ou de estranhamento por parte do espectador. O cenário expõe toda sua estrutura técnica, deixando claro que aquilo é teatro e não a realidade. O enredo se desenvolve sempre com o intuito de provocar a reflexão e de despertar uma visão crítica do que se passa, sem levar ao desfecho dramático e natural.

Segundo Fernando Peixoto, “Brecht recusa o espetáculo como hipnose ou anestesia: o espectador deve conservar-se intelectualmente ativo, capaz de assumir diante do que lhe é mostrado a única atitude cientificamente correta – a postura crítica”.

Será ótimo se, a exemplo de Brecht e da possibilidade reflexiva que seu teatro nos abre, pudermos tomar consciência da nossa força como agentes transformadores de nossa realidade de forma pacífica, empática e corajosa.

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