Flagfutebol como ferramenta para o trabalho em grupo: atitudes e procedimentos

COLÉGIO SANTA MARIA

08 de fevereiro de 2019 | 07h30

Autoria: Adão Gomes

O Jogo de Flagfutebol tem origem no início do século passado e é derivado do Rúgbi, assim como o Football Americano, seu correspondente mais popular, sobretudo nos Estados Unidos. Durante muitos anos foi utilizado como um jogo pré-desportivo do Football Americano, pois não necessita de muita infraestrutura (capacete, ombreira, protetor bucal…) para sua prática, e nem permite o contato e agarrões, comuns no Football Americano. Foi trazido para o Brasil há pouco mais de 30 anos por estudantes universitários brasileiros que fizeram intercâmbio nos EUA.

Há alguns anos o Jogo de Flagfutebol compõe o programa de conteúdos da Educação Física no Ensino Médio do Santa Maria. As justificativas para propor este jogo aos alunos e alunas são muitas, entre elas, o fato de ser alternativo às práticas mais comuns que estão presentes em nossa cultura de movimentos; ser mais uma possibilidade de realização de movimento no cotidiano; ser um jogo em que as questões físicas estão presentes, mas não são as mais importantes; no Flagfutebol há a necessidade da utilização de estratégias (envolve o raciocínio) e, para que as ações tenham êxito, é fundamental que sejam previamente combinadas (trabalho em grupo) e executadas em conjunto, com movimento sincronizados. Atualmente, dentre todas, esta última justificativa tem se tornado a mais importante, visto que atitudes (disponibilidade para o diálogo) e procedimentos (utilização de método) têm sido temas caros no contexto escolar.

Assim, para que as ações de ataque possam ser realizadas, é fundamental que alunas e alunos tenham a disponibilidade de reunir e discutir como deverão agir coletivamente. Neste momento ocorre o exercício do diálogo, da interação com o outro, da paciência, do saber ouvir e de conseguir propor algo que nem sempre será aceito pelo grupo (equipe), além disso deve-se aceitar o que o outro ou o grupo propôs e, inclusive, ter que realizar uma “rota” (movimentação) que não seria a desejada naquela situação, ou seja, ceder. Assim se chega a uma ação de ataque, que após realizada deve ser avaliada, reformulada, e novamente executada ou simplesmente substituída por outra. Este “movimento” de ver, rever, formular, reformular, analisar, discutir e avaliar ocorre muitas vezes durante uma partida.

No início do trabalho com o Flagfutebol há um estranhamento por parte de muitas alunas e alunos quanto a sua dinâmica, pois muitos passam a considerá-lo “parado”, mas com o passar das aulas e assimilação da ideia central do jogo (ganhar terreno) e da real necessidade de se combinar ações coletivas, com a elaboração e a apropriação de uma variedade de jogadas, o tempo para discuti-las diminui, assim o jogo se torna mais dinâmico e interessante.

Despois de algumas semanas de trabalho é possível perceber claramente as alunas e alunos que aprenderam e estão dispostos a trabalhar em grupo (equipe), a colaborar, e que consideram a importância de criar um método de ação (construção das jogadas e movimentação para que ele tenha êxito) a partir das orientações oferecidas em aula e o tempo destinado à elaboração e ensaio (treino) das jogadas, e aquelas e aqueles que têm dificuldade em dialogar e/ou ainda não descobriram a importância da apropriação de um método para jogar.

Neste sentido, para além das questões que envolvem o ato de jogar em si, o Flagfutebol como conteúdo das aulas de Educação Física pode propiciar o exercício do trabalho em grupo e a utilização de método de ação, com o imediato resultado destas atitudes e procedimentos (resultado da execução das jogadas – êxito ou fracasso). Ao mesmo tempo, ser uma ferramenta para identificar alunas e alunos que já têm esses aspectos bem assimilados e os que ainda precisam construí-los.

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