Eu sou a heroína dele, mas foi ele quem me salvou

Eu sou a heroína dele, mas foi ele quem me salvou

Colégio Santa Maria

04 Novembro 2016 | 08h03

Autoria: Maria Luiza Costa

Ir pra Telêmaco com certeza muda a visão de mundo de qualquer pessoa. Bem, acreditem, eu sou a pessoa que não gostava de crianças até conhecer um anjinho especial nessa viagem que me fez questionar todos os aspectos da minha vida e da sociedade. E ele tinha só seis anos de idade.

A Missão inteira foi montada de um jeito que tira o aluno da sua área de conforto de um jeito indescritível. Desde as aulas preparatórias pra nos inserir no contexto da luta social de Telêmaco até a vivência em si. Ter todo esse contato com a luta pela reforma agrária abriu meus horizontes tanto no âmbito político quanto no âmbito humanitário. Eu não tinha noção da profundidade da discussão, até não me atrevia a palpitar sobre, mas depois de engolir o cenário e digerir as diversas situações com as quais eu me deparei na região, tornou-se quase impossível me omitir de conversas e debates acerca do tema e compreender mais e mais sobre uma pauta que divide opiniões e gera grandes debates na política atual.

O impacto no âmbito humanitário foi gigantesco, eu nunca me senti tão mudada em tão pouco tempo e tão profundamente. É uma daquelas mudanças que você só sente e não consegue explicar. Depois da viagem você relembra momentos e chora, não só por saudade,  mas também porque as relações que você construiu em dez dias lá tocaram sua alma com mais força do que relações de anos que você teve na vida.

Eu senti isso quando conheci um garotinho chamado Guilherme, um piá que, como qualquer outro, pulava, ria, cantava, batia palmas junto com a gente em uma das escolas que fomos visitar. Mas o que tem de especial nesse monstrinho? Ele me ensinou a ser a criança que ele é, feliz, despreocupada, com superpoderes e sonhadora, ele queria salvar o mundo e me fez lembrar que eu também quis salvar o mundo uma vez!

Todas as crianças estavam tão felizes, elas pareciam não enxergar todos os problemas que a sociedade impunha e tudo o que elas tinham para enfrentar. Essa viagem só deixou mais claro pra mim que as crianças são a nossa esperança, sim! Dava pra ver isso nos olhos das centenas de crianças que passaram por nós nesses dias no Paraná. Todos nós somos responsáveis pela formação deles. De um jeito simples e inocente, elas me fizeram perceber que esquecemos de lutar pelo lado bom da vida. Colocamos os problemas na frente dos sorrisos, na frente dos sonhos.

Sou mais que grata ao Guilherme! Ele me disse que eu sou a heroína dele, entretanto, ele não tem nem noção do quanto me salvou.

Maria Luiza Costa, aluna da 3ª série do Ensino Médio do Colégio Santa Maria, integrou o grupo de voluntários que atuou em várias instituições em Telêmaco Borba, no Paraná, nas férias de julho. As vivências e atividades são feitas em comunidades da periferia e da zona rural da região, escolas públicas, creches municipais, orfanato, lar de idosos, hospital público, APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), ONGs e MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra).

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