Estudando – e saboreando – cinema no Ensino Médio

Estudando – e saboreando – cinema no Ensino Médio

Colégio Santa Maria

08 Julho 2016 | 07h30

Autoria: Adriano Santos

Estamos cercados por telas. Smartphones, tablets, notebooks e televisores são alguns exemplos daquilo que Gilles Lipovetsky e Jean Serroy chamaram de “época da tela global” (A tela global – mídias culturais e cinema na era hipermoderna. Editora Sulina). Crianças já interiorizaram o hábito de deslizar os dedos por uma determinada superfície a fim de fazer as imagens se sucederem. Adolescentes digitam freneticamente num celular com o intuito de enviar mensagens instantâneas para outros.

Mas durante muito tempo uma tela reinou absoluta: a do cinema.

E até hoje ela encanta, conquista e leva multidões às salas para ver filmes, sendo grande parte desse público feito de adolescentes. Esse é o principal motivo para a criação, no Colégio Santa Maria, de cursos relacionados ao cinema. Não se pode ignorar o apelo que as produções cinematográficas, principalmente aquelas criadas em Hollywood, têm sobre os jovens. No entanto, de maneira geral, os adolescentes não dominam certas ferramentas que poderiam ajudá-los a desfrutar melhor um filme.

Assim, foram criados três cursos destinados aos alunos do Ensino Médio do Santa Maria. A 1ª série tem acesso a um curso introdutório à análise de filmes, trabalhando, entre outras coisas, conceitos como “arquétipos junguianos” e a relação atual entre cinema e videogames, por exemplo. A 2ª série tem um curso que analisa como mitologia e simbologia estão presentes no cinema, estudando, por exemplo, o conceito da “Jornada do herói”, tal qual tratada pelo pesquisador Joseph Campbell. Já a 3ª série analisa a presença das distopias no cinema, as chamadas utopias negativas, cuja narrativa se passa num futuro em que a sociedade é, de alguma maneira, oprimida, controlada. Entre outras coisas, discutem o grande número de distopias adolescentes atualmente nos filmes. Haja vista exemplos como Jogos Vorazes, Maze Runner, O doador de memórias e Divergente.

Ajudar os adolescentes a entenderem melhor os filmes é ajudá-los a usufruir melhor uma ferramenta que faz parte da humanidade desde seu início: as narrativas. É permitir que esses jovens percebam o quanto as histórias da telona têm relação com a vida de cada um, com seus dissabores, suas vitórias, seus desejos, suas paixões… É ajudá-los a entender melhor a sociedade em que vivem. É fazer com que possam, no final das contas, olhar para si e dar alguns passos a mais nessa caminhada que cada um trilha.

Estudar a jornada do herói, por exemplo, é fazer com que os adolescentes vejam que, na verdade, cada uma dessas histórias é a nossa história. Que os nossos passos são calcados em cima dos passos dos viajantes que passaram por ali antes de nós. Discutir o papel da indústria cultural na produção de filmes é ajudar os alunos a terem um olhar mais aguçado, mais analítico sobre as engrenagens que funcionam por detrás da tela. Falar sobre as distopias no cinema é permitir que esses jovens reflitam sobre o momento presente e as consequências das escolhas que fazemos agora.

Em suma, estudar, discutir e saborear cinema tem relação com um dos elementos que nos tornam humanos: a capacidade que temos em aprender e crescer a partir do contato que temos com as histórias que nos são contadas.

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