Escola, espaço pedagógico e de acolhimento

COLÉGIO SANTA MARIA

29 de março de 2019 | 07h30

Autoria: Adriano Skoda

 

Os recentes acontecimentos de Suzano, na grande São Paulo, chocaram a sociedade e ligaram o alerta nas escolas frente aos riscos e desafios que este evento e contexto apresentam. Diferentes causas foram apontadas pelos meios de comunicação como pretextos para a ação dos jovens ex-alunos da Escola Estadual Raul Brasil. O choque inevitável de toda a sociedade, em especial da comunidade escolar – estudantes, professores, coordenadores, direção e família – levantou a pergunta: frente a isso, o que fazer?

Sem termos respostas pré-fabricadas, mas entendendo nossa responsabilidade nesse contexto, buscamos ao longo das aulas seguintes do curso de Geografia da 3ª série do Ensino Médio do Colégio Santa Maria abrir espaço no cronograma para a urgente conversa sobre os eventos. As narrativas dos alunos reverberavam aquelas das redes sociais – que reproduziam as falas de muitos representantes políticos – ao colocarem no centro da questão o que fazer em uma eventual invasão das escolas por atiradores, olhando para o fenômeno a partir de suas consequências e não a partir de suas causas.

Nesse sentido, frente às limitadas ações possíveis de serem realizadas no tempo e espaço da escola, fizemos um breve mapeamento dos elementos que eram apontados como justificativas para ação antissocial em Suzano, e buscamos trazer para o nosso contexto ao tentar vincular o que podíamos compreender da tragédia ao importante trabalho realizado na área de Ciências Humanas, ao longo do ano de 2018, dentro do projeto Jano, em que uma série de atividades sobre acolhimento e saúde mental foi realizada na escola.

Dentro do curso de Geografia, ao longo do ano passado, criamos a estratégia do Jogo Deriva. Um experimento psicogeográfico – que busca construir uma relação afetiva com o espaço habitado –, inspirado nas propostas da Internacional Situacionista, que permitiu aos estudantes desenvolver técnicas de observação e ação frente ao cotidiano, buscando atribuir sentido e criar outras percepções em relação com ambiente ao seu redor. Um exercício despretensioso, mas que buscava abrir uma brecha na opressiva rotina de um estudante em um contexto pré-vestibular, e treinar o cuidado e o afeto dentro de um espaço educacional.

Esforços pedagógicos como estes apresentados acima não podem ser pensados como pontos de chegada para resolução dos problemas emocionais na juventude. Podem ser, contudo, pontos de partida para a construção de espaços de escuta, acolhimento e liberdade para os jovens. A partir do qual estes possam encontrar e construir outros referenciais para si, desprovidos de prejulgamentos, censuras ou medos.