Escola democrática: a importância do diálogo e do respeito à dignidade humana

COLÉGIO SANTA MARIA

21 de agosto de 2020 | 07h30

Quais elementos são essenciais na formação escolar de qualquer indivíduo crítico, preocupado em construir uma sociedade na qual o individualismo e egocentrismo não seja a métrica dominante? Esta é uma pergunta crucial que não se restringe a este contexto de pandemia, em que as diferentes esferas governamentais pouco ou nada dialogam entre si para estabelecerem diretrizes pautadas na ciência, com um plano consistente e consciente em torno da defesa da vida para além de discursos demagógicos.

Com o distanciamento social, todos nós da comunidade escolar precisamos repensar o uso de estratégias e ferramentas tecnológicas e, sem dúvida, o privilégio de deter itens simples e ao mesmo tempo essenciais, como acesso a um computador, internet e espaço adequado para estudo possuem peso significativo na aprendizagem de todos os envolvidos. Entretanto, tais ferramentas são o que o nome já explicita: instrumentos. Por mais que muitas vezes nossas vidas são pensadas como peças facilmente substituíveis, nenhuma aplicação tecnológica no processo de ensino aprendizagem pode ou deve renunciar à valorização de cada vida e da dignidade humana, pois o espaço escolar possui o potencial de contribuir na estruturação de uma comunidade politicamente ativa, consciente e preocupada com algo basilar para uma sociedade digna para todos: o bem comum.

Não se promove mudanças sociais positivas sem pensarmos na formação de indivíduos éticos para os quais a diversidade seja valorizada em sua riqueza e os princípios democráticos não sejam meros conteúdos de prova, mas norteadores de toda prática docente. Neste sentido, mesmo no ambiente virtual tem se mantido com as turmas do Ensino Médio do Colégio Santa Maria a realização de debates virtuais e dinâmicas em que os estudantes exercitam a liberdade de fala buscando não ferir a dignidade humana. Em meio a estas discussões, os estudantes são estimulados a usar dados científicos para entenderem e refletirem com profundidade a respeito de temas contemporâneos. Com tal prática os educandos vivenciam e treinam algo tão caro e raro na nossa sociedade atual: ouvir e entender a perspectiva do outro, ao invés de recorrerem às falácias ou ainda buscarem “vencer” uma discussão no grito.

Além disso, abre-se a possibilidade dos estudantes refletirem sobre problemas sociais e racionalmente buscarem respostas a partir de ideias que podem, a princípio, parecerem e serem conflitantes, mas que contribuem pouco a pouco para um olhar mais aguçado para a realidade, empático para a dor e dificuldades do próximo e, neste processo, alimenta-se a curiosidade para ricas perspectivas, técnicas e teorias científicas outrora encaradas como tabus.

Retomando o título, vale lembrarmos que a excelência acadêmica buscada pela

comunidade escolar não é conseguida através de mera reprodução de conteúdos e técnicas, mas da aplicação destes instrumentos na formação de indivíduos autônomos, éticos e realmente comprometidos com a importância do diálogo e com os princípios democráticos acima de tudo. Só assim durante e após esta pandemia seremos capazes de construir uma sociedade melhor do que a nossa para cada geração e vida que está por vir.

 

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