Entre a dor, a cor e o amor

COLÉGIO SANTA MARIA

31 de maio de 2019 | 07h30

Inserção Social com adolescentes voluntários em um hospital público

Adolescentes de aventais brancos, rostos pintados com desenhos coloridos, uma fila em marcha entoando o canto “Nós acabamos de chegar ao hospital, viemos trazer alegria para a geral” atravessando o Hospital Regional Sul na tarde de uma segunda-feira. Esta descrição se assemelha aos filmes do melhor estilo Patch Adams, mas é a rotina de voluntárias e voluntários do Colégio Santa Maria.

Iniciado em 2001 pelo professor Paulo Felipe, o trabalho de Inserção Social no Hospital comemora o aniversário da maturidade com uma novidade: a expansão das atividades para o Pronto Atendimento infantil do Regional Sul. O trabalho nessa nova unidade significou o atendimento de mais de 100 crianças por dia pintando desenhos, brincando com voluntários, ganhando bexigas e, sobretudo, aprendendo.

A conexão entre Hospital e Escola, dois mundos aparentemente opostos que se unem pelo viés da construção e compartilhamento de saberes. As atividades organizadas no Hospital atendem a três linhas de trabalho definidas conjuntamente entre a equipe do hospital e as alunas e alunos do Colégio.

A primeira perspectiva adotada passa por abordar temáticas que contribuam para transformar a qualidade de vida das pessoas, no sentido de pensar a prevenção de doenças a partir de mudanças cotidianas de atitudes, como o debate sobre higiene pessoal e o consumo de alimentos saudáveis. Essas duas temáticas são tratadas de maneira lúdica buscando contribuir para desenvolver novos hábitos e construir saberes significativos tendo a saúde como eixo referencial.

A segunda linha de trabalho está vinculada à importância do contato, da solidariedade e do afeto para pessoas em situações vulneráveis psicologicamente. Os nossos alunos e alunas visitam os leitos de pacientes levando música e poesia, como descreve a aluna Lívia Tadim:

“O voluntariado é também um trabalho social e principalmente humanizador, no qual a nossa função ali é trazer alegria e felicidade para os pacientes, com o objetivo de deixar em cada um uma esperança de que tudo pode melhorar, além de animar os acompanhantes dos mesmos. Tem vezes que precisamos lidar com situações que não estamos habituados, como ao entrar no quarto de um paciente, no qual precisamos imprescindivelmente lidar com a dor e a tristeza que carregam consigo diante do estado que estão, mas precisamos segurar a emoção e seguirmos firmes, passando sempre a mensagem de alegria e esperança. Isso nos ajuda e ensina a olhar o outro com sensibilidade, compaixão e amor.”

Além dos pacientes, adotamos como perspectiva do nosso trabalho o olhar atento e cuidadoso aos funcionários que ali trabalham, buscando valorizar a importância social de suas profissões. A compaixão, como foi assinalada no depoimento anterior, é o elemento humanizador que contribui para que os nossos alunos e alunas tenham uma formação solidária, na perspectiva de aprender a olhar o/os outro/os reconhecendo neles suas diferentes histórias, demandas e limitações.

Em outro depoimento, da aluna Isadora Guilherme, é possível notar, mais uma vez, a importância que o trabalho adquire no processo de formação dos nossos alunos e alunas, seja na construção de seus respectivos projetos de vida, seja na edificação de valores que primam pelo respeito no convívio com a diferença social, geracional e de condições de saúde:

Eu comecei o trabalho voluntário no hospital por interesse em seguir carreira na área de saúde, eu achava que estando sempre em um ambiente hospitalar eu já teria contato e experiência no espaço. Mal eu imaginava que os aprendizados que eu teria lá iriam muito além do âmbito do hospital em si. Eu já fiz trabalhos lá com todo tipo de gente, especialmente pessoas com uma vivência completamente diferente da minha, em todas as faixas etárias e a coisa que realmente foi possível perceber em todas elas foi a gratidão que uma pequena ação no dia delas pode trazer, todo dia eu saía de lá me sentindo purificada com o tanto de energia boa que eu recebia, mesmo se tratando de um ambiente meio hostil.

Nos nossos novos projetos, de interação com os funcionários e atividades de recreação no pronto atendimento, eu percebo o quanto aquelas pessoas realmente precisavam daquilo, mesmo que fosse só uma distração do trabalho exaustivo das enfermeiras, ou uma conversa para os pais que estão aflitos com seus filhos no hospital poderem pensar em alguma outra coisa, até para as crianças poderem receber um balão de cachorrinho e conversar sobre seu super-herói favorito ou a princesa que mais gosta.

 

Uma educação cidadã, pautada nos princípios do respeito à dignidade humana, na cooperação e no diálogo é a linha mestra do Projeto Político Pedagógico do Colégio Santa Maria e está presente no dia a dia dos voluntários e voluntárias, com seus rostos coloridos que aprendem, na vivência, como podem ser sujeitos e corresponsáveis para a construção de uma sociedade mais democrática e solidária.

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