Ensino remoto: percursos, desafios e conquistas

COLÉGIO SANTA MARIA

17 de dezembro de 2020 | 07h00

Autoria – Sandra Evangelista Souza e Claudia Sande

Em Educação, todo e qualquer ano é diferente, cada um, singular: projetos e processos nascem na alma da escola antes mesmo do início das aulas. O período letivo de 2020 estava apenas começando… Os planos já estavam repletos daquele desejo bonito de inspirar, encantar e, sobretudo, ampliar o universo dos estudantes para a transformação de si e do seu entorno, o que sempre abarca um grande desafio. Porém e subitamente, a pandemia nos revelou um cenário muito mais desafiador: os portões da escola estavam fechados e os alunos, distantes de nós.

Turbilhão de sentimentos, contexto repleto de incertezas, muito mais que o aprofundamento de sua compreensão, imperioso foi mudar a mentalidade, mapear possibilidades e (re)pensar ações para o presente e o futuro da escola. Mais do que nunca, o verbo REINVENTAR se tornou presente. Não podíamos perder de vista todos os sonhos e projetos que viveríamos no 4º ano do Colégio Santa Maria, dessa forma, mesmo a distância, toda a comunidade escolar: pais, gestores, professores e, especialmente, os alunos, demonstraram o quanto são capazes de superar as expectativas e a aparente limitação.

A suspensão das aulas presenciais nos compeliu a buscar recursos inovadores, dinâmicos e mais eficientes para esses tempos de aulas remotas junto aos alunos da série. Nesse contexto, tecnologias digitais foram revisitadas e se reapresentaram como instrumentos aliados e facilitadores do processo de aprendizagem de nossos alunos.

Após toda a inquietacão inicial na rotina de estudos (entender as plataformas e aplicativos para o ensino remoto), os encontros escolares ganharam nova configuração, a autonomia dos alunos foi potencializada por meio do desenvolvimento de variadas estratégias. As aulas assumiram modelos roteirizados, o que possibilitou uma dinâmica mais participativa, ativa e processual, bem como o acompanhamento do ritmo de cada aluno e o seu envolvimento também nas atividades em grupo (as salas simultâneas do Zoom que o digam!). Esses roteiros incluíram o levantamento das expectativas da aula, itinerários de trabalho, autoavaliação do processo e, ao final do encontro, um teaser para instigar e atrair o interesse das crianças para o tema ou objeto de estudo da próxima aula. O resultado? Alunos mais envolvidos e implicados no próprio processo de aprendizagem.

As tecnologias educacionais, solução para tantas mudanças e de maior potencial de inovação neste percurso escolar, foram utilizadas pelas turmas do 4º ano de diferentes maneiras.  Um universo de oportunidades se revelou. Painéis interativos como o Padlet e o Jamboard foram explorados e manipulados, com experiência e entusiasmo pelos alunos. O distanciamento social já não era empecilho para a polinização das ideias e expressão da criatividade.

A linguagem dos jogos, além de atraente, manteve-se presente no dia a dia dos alunos. Por meio da vivência dos desafios, das recompensas, da competição e colaboração, esse recurso possibilitou que as crianças aprendessem juntas e também cada uma em seu próprio ritmo e estilo. As ferramentas on-line como Edpuzzle, Kahoot, Socrative, Wordwall.net, entre outras tantas disponíveis na internet, possibilitaram processos mais interativos e adequados às necessidades e expectativas de aprendizagem.

A integração entre os componentes facilitou o desenvolvimento dos trabalhos. O projeto literário, trazendo o ilustre Ricardo Azevedo com o tema Cultura da Terra, foi o disparador de tantas conquistas e, principalmente, a constatação que vivemos em um país diversificado com diferenças culturais, todas elas muito significativas e vivas em todo o território nacional. Mesmo a distância, as brincadeiras não deixaram de existir, as propostas do professor Luiz mexeram com o corpo e com a alma das nossas crianças.

Concomitantemente, nas aulas de Português, os alunos declamaram quadrinhas populares, adivinhas e conheceram contos clássicos de todas as regiões brasileiras, um prato cheio para o desenvolvimento da oralidade culta e superação da timidez.

Tudo isto acontecendo de modo sincrônico, as vivências nas aulas de Ciências Humanas, conhecendo histórias de superação de racismo, preconceito e discriminação social com uma diversidade cultural enorme espalhada pelo Brasil, foi o ponto marcante na vida destes alunos que hoje sabem o papel que exercem na sociedade e as mudanças que são capazes de realizar para uma vida mais justa e fraterna.

Como não falar de Ensino Religioso, que abraçou tudo isto com maestria, trazendo as histórias de Jesus para a realidade tão virtual e tão presente na vida de todos nós. Intensificamos o acompanhamento, com foco na acolhida de sentimentos diversos, sensações e percepções acerca do momento vivido e na busca por reflexão e ressignificação de sonhos e projetos de vida, aliviando, muitas vezes, o emocional destes alunos.

A valorização da cultura científica e as investigações sobre o nosso papel na vida do planeta, bem como a importância da sustentabilidade socioambiental, fez com que estes pequenos protagonistas assumissem como emergenciais questões sobre desmatamento, animais, queimadas, extinção, solo… lutando pela preservação e pelo equilíbrio ambiental.

Empatia e acolhimento foram características marcantes dos professores e assim, em pouco tempo, percebia-se o mesmo movimento entre os alunos: cuidavam uns dos outros e traziam dicas e novas descobertas para incrementar o trabalho. A proatividade foi o ponto chave para que os projetos acontecessem e os alunos apresentassem um papel ativo diante do conhecimento.

Não há dúvidas de que o 4º ano construiu um percurso potencialmente mais ativo e colaborativo nesse período inédito e complexo. Os avanços foram evidenciados pela cooperação intelectual, mobilização de recursos e habilidades de nossos alunos, colocando-os como protagonistas de seu próprio processo de aprendizagem e construção de novas aprendizagens. Ao contrário de que muitos pensaram no início, esse tempo não foi desperdiçado, mas impulsionou novos olhares frente ao desejo de aprender como uma experiência potente, que exigiu esforço, mas também revelou-se prazerosa e repleta de oportunidades, responsáveis por promover histórias e memórias inéditas de troca e interação.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.