Ei, professor! Quem é você, afinal?

COLÉGIO SANTA MARIA

14 de janeiro de 2021 | 07h00

Autoria – Patrícia Almeida

O ano de 2020 voou! Voou porque a vida das pessoas está muito agitada ou porque essas mesmas pessoas tiveram a ligeira impressão de que o mundo está girando mais rápido? Cientificamente, é comprovado que o tempo, na verdade, tende a ficar mais longo.

A urgência de voltar “ao normal” é tão premente que a transformação “desse normal” se fez necessária. Citando Milton Nascimento “[…] o mundo lá sempre a girar, em cima dele tudo vale […]”, estamos girando e a vida passando. E nada mais será do mesmo modo, nem mesmo o mundo, nem mesmo as pessoas, nem mesmo as famílias, nem mesmo a escola!

Mas então, quem é você, professor?

Você, que teve que deixar opiniões e incertezas de lado para se reinventar, para cumprir com seu ofício, que não se assemelha em nada com o de apenas um ano atrás, um ano atrás! Reinventar estratégias, metodologias, descobrir o “mouse” ou mesmo a “barra de rolagem”, transformar sua casa em cenário para o novo. Novo? Mudança? Novas aprendizagens para quem?

Como cumprir essa difícil missão? Ela ainda está sendo cumprida, e então mais ainda, buscar subsídios para contemplar uma aula essencial. Aula? O relógio parece que resolveu instituir uma guerra contra a escola. Como construir e/ou desconstruir modelos, dinâmicas para alavancar motivações para aprender?

O professor precisou fazer do relógio seu aliado, ou mesmo brincar com ele, pois precisava saber, ou tentar entender, se suas aulas atingiriam os alunos de forma positiva através de uma tela de computador. Aprendeu, em sua jornada acadêmica, muitos assuntos a respeito da prática pedagógica, e que neste momento, aproveitou para colocar em prática.

Foi capaz de enxergar, ainda mais, o interesse de seus alunos sobre suas aulas. No entanto, foi ele mesmo quem precisou aprender a rever se realmente estava trilhando o caminho das novas aprendizagens e proporcionando momentos de descobertas no aprender de suas turmas. Sua capacidade para enfrentar os entraves das aulas remotas também mudou sua concepção da aula, de lições, de família, de espaço etc.

Esse professor questionava, mas foi questionado continuamente, pois precisava se fazer entender. As famílias evidenciaram o seu real, sem amarras, o mesmo aconteceu com o professor. Ele entrou dentro da casa de cada um e aprendeu a necessidade de reinventar, tornar suas aulas mágicas. Foi necessário mudar por dentro e por fora para que o processo se tornasse menos invasivo, menos melancólico, menos triste e muito mais dinâmico, motivador, encantador e, por fim, mais valorizado.

Foi possível perceber que nenhuma tecnologia, por mais incrível e essencial que fosse, poderia substituir a figura do professor. Ele é quem transitava lado a lado com seus alunos em busca de reflexão, de pensamento crítico e, mesmo numa corda bamba (Internet), conseguiu equilibrar os diversos instrumentos colaborativos de aprendizagem com as habilidades fundamentais para o aprender.

Foi um choque de realidade!

Foi um desafio necessário (ou não!)

Foi preciso mudar!

Ei, professor! Consegui te descobrir!!

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