Educação Física no Ensino Médio: uma necessidade na formação integral do estudante?

Educação Física no Ensino Médio: uma necessidade na formação integral do estudante?

COLÉGIO SANTA MARIA

22 de fevereiro de 2019 | 07h30

Autoria: José Ricardo Rik do Val (Zeca)

Do universo das atividades motoras, ressalto as lúdicas jogos, pela inerente capacidade de “transportar” o ser humano a um clima imprevisível ao experimentá-las. Muito diversos, com diferentes origens, são presença clara e obrigatória nesse grande escopo cultural de experiências corporais, sociais, afetivas e cognitivas, a que todos nós somos sujeitos passíveis de apropriação.

Sobre a denominada “Linguagem Corporal” – Para Johann Huizinga, em sua obra Homo Ludens, o ser humano possui uma característica que precede a cultura: a vontade de JOGAR. Para ele, criar regras ou códigos para se divertir, obter prazer ou apenas competir e satisfazer suas vontades fazem “parte daquelas coisas em comum que o homem partilha com os animais”. Ainda de acordo com o autor, “O jogo é fato mais antigo que a cultura, pois esta, mesmo em suas definições mais rigorosas, pressupõe sempre a sociedade humana…”

Ressalto aqui a relação que o movimento corporal pode assumir com o mundo do trabalho, cujas propostas, que norteiam o ensino da imensa e esmagadora maioria das escolas, se deparam cada vez mais com a incerteza e com a hiper especialização, condições individualizantes e que, muitas vezes, podem apresentar uma “contramão” nas relações mais empáticas, mais gregárias que tanto bem fazem para uma formação integral e holística do jovem.

De acordo com levantamento que realizamos junto aos alunos da 3ª série do Ensino Médio do Colégio Santa Maria, 91% dos estudantes declararam-se a favor da manutenção da Educação Física obrigatória no Ensino Médio. Desses, a maioria relatou os JOGOS ESPORTIVOS como conteúdo mais importante. Ou seja, os fatores competição, preparação, regramento, coletividade e acervo da cultura se mostram muito significativos para os jovens, considerando-se o contexto de cobrança por resultados em exames externos, decisões pessoais e futuras escolhas que se apresenta logo adiante.

Para Domenico de Masi, em sua obra “O Ócio Criativo”, o trabalho ruma para o “Teletrabalho”. Mais tecnológico, mais criativo e mais intelectualizado. Já Suzana Guerra nos revela: A reflexão de Domenico De Masi continua nessa direção, até encontrar-se com a nossa hipótese de que cada vez mais o trabalho se aproxima de um jogo, enquanto se faz como atividade criativa, predominantemente intelectual.

Dessa forma, o que podemos inferir é a certeza de que a presença do componente Educação Física possa favorecer a uma proposta de escolarização mais inclusiva, colaborativa e significativa dentro do dia a dia dos alunos do Ensino Médio, trazendo os jovens para as experiências de fato, de corpo presente, com vínculo com a busca pelo prazer, pelo trabalho e que traga resultados, também com reflexões entre os pares, possibilidades de embates e negociações mais empáticas ou não. Como a vida assim nos é apresentada.

 

Referência de Consulta:

– Albornoz, Suzana Guerra (2009). Jogo e trabalho: do homo ludens, de Johann Huizinga, ao ócio criativo, de Domenico De Masi. Departamento de Ciências Humanas da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC)Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, vol. 12, n. 1, pp. 75-92.