É mais fácil desintegrar um átomo do que o preconceito sobre a Química…   Mas não é impossível!

É mais fácil desintegrar um átomo do que o preconceito sobre a Química… Mas não é impossível!

Colégio Santa Maria

14 Abril 2017 | 07h30

Autoria: Maurício Rodrigues

 

Muitos alunos me perguntam: Por que tenho que aprender Química? Para que tenho que conhecer fórmulas e símbolos químicos? Eu não vou trabalhar com isso; em que tais conhecimentos serão úteis em minha vida? E eu penso: Mas, afinal, por que será que há tanta resistência por parte deles em estudar Química? Vamos refletir um pouco sobre quais fatores podem estar influenciando essa relação dos aprendizes com a disciplina e se esses aspectos são positivos ou negativos…

Comecemos pela mídia, da qual podemos citar a televisão como exemplo, que, na maioria dos programas (animações ou filmes) que apresenta, acaba passando a ideia de que os químicos são cientistas malucos, de cabelos em pé, isolados do convívio pessoal, trabalhando em um laboratório com vidrarias e soluções coloridas sempre liberando alguma fumaça.

Além disso, pensando no dia a dia, a Química é considerada uma grande vilã. Em muitas lojas, encontramos determinados produtos com o rótulo: “Não contém produtos químicos” e chegam a dizer: “Não coma isso, é pura química!” Por que o termo Química é utilizado nesses contextos? Será que a Química realmente irá contribuir para envenenar as pessoas em nossa sociedade?

Outra citação que podemos destacar é o trecho da música “Química” escrita pelo compositor Renato Russo e gravada pelo grupo Legião Urbana: “Não saco nada de Física, Literatura ou Gramática, só gosto de educação sexual e odeio Química, Química, Química…” – um forte reforço para os jovens não gostarem de estudar a disciplina.

E além de tudo isso, o jovem vai para a escola, assiste à aula de Química no formato tradicional, desmotivadora, fora de contexto, que nada tem a ver com a vida cotidiana, reforçando a imagem negativa dessa disciplina.

Olhando sob esse aspecto, parece um tanto desoladora essa análise, mas a Química, como qualquer disciplina, pode ser desafiadora e prazerosa sim, se houver um sentido para o seu estudo.

Alternativas para quebrar essa imagem negativa e preconceituosa são exploradas pela equipe de Química do Ensino Médio do Colégio Santa Maria: trabalhá-la em suas inúmeras aplicações dentro do universo do cotidiano dos educandos, como, por exemplo, com questionamentos para despertar a curiosidade com questões do tipo: Do que é feito um micro chip de um iPhone? Como é feito um perfume ou um shampoo? O que é nanotecnologia e como ela se apresenta no nosso dia a dia? Qual a relação da Química com a vida? E para estarmos vivos, precisamos de alimentos, que são constituídos por substâncias químicas. Como produzir alimentos para milhões de pessoas? (…)

Estudar somente suas aplicações, não basta. É necessária a compreensão dos fenômenos químicos de forma abrangente e integrada, possibilitando a compreensão dos processos químicos pelo aluno, quanto à construção do conhecimento científico. Problematizar, refletir, dialogar sobre essas questões, torna o ensino dinâmico e permite que o aluno o relacione com sua vida, com as questões ambientais, econômicas e sociais. Pensando assim, vemos que as aulas de Química devem ser mais coerentes com as necessidades do atual contexto econômico, científico, social e cultural.

Aprender Química não é memorizar fórmulas, decorar conceitos e a tabela periódica. Aprender Química é procurar entender como essa atividade humana tem se desenvolvido ao longo dos anos, como os seus conceitos explicam os fenômenos que nos rodeiam e como podemos fazer uso do conhecimento produzido para melhorar as condições de vida no planeta.

Só assim, no trabalho coletivo e consciente, numa proposta envolvente entre educadores e educandos, num contexto associado ao dia a dia e com o foco nas interações da Química com o mundo em que estamos inseridos, poderemos avançar para desmontar o preconceito que se estabeleceu em seu ensino-aprendizagem e promover novas possibilidades. Ninguém disse que será fácil, mas valerá a pena, principalmente para as gerações futuras.

 

1404_LabQ1 1404_LabQ2