Dupla docência no ensino remoto: estratégia formativa para professores

Dupla docência no ensino remoto: estratégia formativa para professores

COLÉGIO SANTA MARIA

07 de outubro de 2020 | 07h30

Autoria – Karine Ramos

As parcerias entre as séries da Educação Infantil no Colégio Santa Maria são recorrentes e incentivadas como estratégia formativa. “Compartilhar experiências e vivências das propostas realizadas para e com as crianças amplia o repertório e o olhar dos professores. Ao narrar para o outro, ele reelabora sua própria prática e incentiva boas práticas”, explica a coordenadora pedagógica e formadora de professores, Karine Ramos. 

Com o período de distanciamento social, cada professora ficou no seu ambiente virtual, com seus alunos. Um momento de muitos desafios para os professores, que, de um dia para o outro, tiveram que reelaborar propostas e forma de estar na relação com as crianças. A possibilidade de ter um parceiro, mesmo que online, ampliou as possibilidades das professoras, que, de forma experimental, iniciaram a dupla docência online nas turmas de Jardim II, com crianças de quatro anos.

A partir dessa oportunidade de estar juntas planejando, trocando experiências e olhares sobre as crianças e o trabalho, as professoras Gisele e Amanda registraram o que estão sentindo e aprendendo com esta experiência: “Nosso olhar profissional contribuiu significativamente para o sucesso dessa experiência, pois a dupla docência, além de favorecer a ampliação das possibilidades de escolhas, também auxilia na escuta das crianças para planejar os próximos caminhos e estratégias. Sentimo-nos corresponsáveis pelas atividades formativas propostas, desde o desenvolvimento até a ação, o que gera novos conhecimentos e práticas. Nossos saberes são respeitados, organizados, ampliados e semeados”.

Neste movimento de diálogo, escuta e troca, a formação acontece nutrida por um forte senso de profissionalismo e desejo de aprender e ensinar ao outro. De acordo com Fernando Pessoa, “Primeiro estranha-se, depois entranha-se!”. A estranheza a princípio pode ser sentida, depois se transforma e passa a ser incorporada e vivenciada, trazendo significados que são transparecidos na prática pedagógica. Uma vez vivida, passa a fazer parte de nós!

Acreditamos que educação se faz no plural e escutar as famílias neste processo é muito importante. Veja os relatos de duas famílias que estão vivenciando essa experiência conosco:

Sou mãe de três crianças em idade escolar. Pela primeira vez estamos vivendo uma pandemia e nos adaptando com essa nova realidade. E agora no segundo semestre, a nossa pequena Antonella, que está́ no Jardim II, tem tido em sua sala de aula virtual a docência compartilhada. Esse tipo de docência trouxe para as aulas mais dinamismo e desafios para as crianças.

Aprovo e acho que deveria ter em outras séries. Como ex-professora, penso que deve ser muito bom poder dividir e planejar as aulas e conteúdos com outra professora. E para as crianças, se torna mais rico o aprendizado!

Foi uma deliciosa surpresa saber que a Gisele, que foi professora do meu filho do meio por dois anos seguidos, seria o par da tão carinhosa e adorada professora Amanda!” – Claudia da Costa Arruda, mãe de Enzo, Murilo e Antonella Arruda

 “Neste período tão difícil que estamos vivendo, cada dia é um novo desafio. Já passamos pela etapa de adaptação das aulas virtuais, depois estabelecimento de uma nova rotina de aprendizado e convívio virtual com os amigos, de suma importância para esta etapa da infância. Agora que chegou a fase de manutenção da rotina, estamos vivenciando os benefícios da docência compartilhada. O entrosamento das professoras é algo cativante. Com certeza, a presença da professora Amanda, somada ao profissionalismo e carinho que a professora Gisele sempre proporcionou, trouxe ainda mais engajamento para os pequenos” – Glaucio Pestana e Paula Casanova, pais da Mariana Pestana

Os relatos corroboram Maria da Assunção Calderano: “Precisamos não somente trocar experiências com os pares, mas também mobilizar os demais participantes do processo em questão. Compartilhar não é apenas dividir o que já se possui ou se pensa. Tampouco se restringe a desenvolver com alguém o que fora planejado por outros. Indo além de uma conotação de mero ajuste a algo pré-estabelecido, para mim, compartilhar é escutar, examinar, ousar, imaginar, criar, criticar, e, dentro das possibilidades (limites e potencialidades), desenhar cooperativamente o caminho, a estrada, a rota e aonde se quer chegar. Compartilhar é também realizar as ações decorrentes desse processo que se retroalimenta e se fortalece, de forma colegiada.”

E assim seguiremos juntos, ensinando e aprendendo sempre!

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