Dom da felicidade

COLÉGIO SANTA MARIA

12 de novembro de 2020 | 07h00

Autoria – José Ricardo Rik do Val

“Mesmo sendo todos diferentes, podemos sentir a alegria de aprender uns com os outros a cada dia” adaptação das frases construídas com todos os alunos em dinâmica de LIBRAS com o convidado Ricardo Fujikawa

Após as férias de agosto, a comunidade do 3º ano do Ensino Fundamental do Colégio Santa Maria iniciou estudos e sensibilizações a respeito da valorização do outro, da empatia e autossuperação, elementos que colaboram para o desenvolvimento socioafetivo e emocional do aluno e uma formação que valorize a convivência harmoniosa e cidadã.

Através de um conjunto de habilidades e experiências, nossos/as estudantes participaram de uma sensibilização inicial a partir das aulas de Ensino Religioso, buscando a percepção do outro, suas semelhanças e diferenças que caracterizam a relação com o meio e com outras pessoas. Em contato com as particularidades e com as diferenças entre as pessoas, em especial com a deficiência sensorial auditiva, as crianças executaram uma complexa tarefa e se apresentaram e gravaram um clipe coletivo, em forma de videoconferência coletiva, com a melodia sendo cantada e comunicada através da LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais), apresentando lindo registro musical e expressivo.

Ao navegarem nesse universo de adaptações que, muitas vezes, exige a iniciativa dos próprios indivíduos comumente chamados de “deficientes”, os alunos imergiram nas aulas de Educação Física observando potencialidades presentes nos cadeirantes, amputados e deficientes sensoriais. Os chamados “Super Humanos” e seus feitos incríveis, observados tanto em Jogos Paralímpicos quanto no cotidiano, na expressão artística, ou seja, no dia a dia, foram objetos de várias conversas: O mundo é acolhedor ou não?, As cidades e suas arquiteturas incluem ou excluem?, Como é a vida de um cadeirante no Brasil?, E no exterior?

Desse modo, desdobrou-se uma reflexão sobre o respeito e a admiração despertados em todos nós, sobre as possibilidades e potencialidades infindáveis que as pessoas podem apresentar, estando privadas ou não, com comprometimentos de ordem maior ou menor. Para aproximarmos os estudantes de uma experiência real, uma memorável entrevista foi realizada entre toda a comunidade da série com o convidado Ricardo Fujikawa, jovem profissional de Engenharia, nascido sem o aparelho auditivo externo e surdo desde o nascimento, por onde pudemos aprender que, se você se prontificar a desenvolver empatia pelo meio e pelas pessoas ao redor, tiver uma dinâmica familiar que incentive e torne mais leve a busca cotidiana pela comunicabilidade, demonstre persistência e desejo de superar dificuldades por si, e não uma espera por um milagre, então a vida pode ser aproveitada com desejo, prazer, realizações e desafios.

“Somos todos diferentes” e “Surdos ou não, todos sentimos alegria” foram frases criadas na hora com as crianças para a prática de LIBRAS com Ricardo. E nos podem fazer refletir sobre uma ideia ancestral: construir um mundo mais justo e acolhedor, com alegria e gratidão por nos reconhecermos privilegiados pelo corpo e pela saúde, é um exercício diário que nos desafia tal qual a letra da canção “Tocando em frente”, de Almir Sater e Renato Teixeira: “Cada um de nós compõe a sua história e cada ser em si carrega o dom de ser capaz e ser feliz”.

Veja aqui o vídeo da conversa com nosso convidado:

https://youtu.be/Ht1BYyYUi5o

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