Discussão de gênero na escola?

Discussão de gênero na escola?

Colégio Santa Maria

24 Junho 2016 | 07h30

Autoria: Valéria Conte

O debate acerca da questão de gênero tem ganhado cada vez mais destaque em diferentes espaços, porém apesar desse debate parecer “novo”, sobre ele se revela grande desconhecimento e antigos preconceitos.

Quando nos referimos a gênero, tratamos de um conceito complexo que é também uma ferramenta de análise para entender como experiências e ideias sobre feminilidade e masculinidade são vivenciadas e produzidas histórica e socialmente. A negação dessa compreensão e possibilidade produz de imediato um discurso simplista e problemático de que exista uma “ideologia de gênero” e que, portanto, ao estudá-la estaríamos “influenciando e conduzindo” formas de ser e viver. A discussão propõe exatamente o inverso. Discutir como corpos e identidades estão diretamente relacionadas a tempos e interesses, pode representar a possibilidade de maior  compreensão e de liberdade. Possibilita pensar que existam diferentes formas de viver essas feminilidade e masculinidade e que elas não são excludentes. As violências a que os corpos e pessoas, vistas como “anormais”, são submetidos/as, estão diretamente relacionadas ao desconhecimento e ao preconceito.

E por que o tema estaria tão presente e com tanta pressão sobre as escolas? Como experiência de sociedade e espaço privilegiado de saberes e relações, o debate sobre gênero é feito ou negado, tanto pelo viés acadêmico, quanto experimentado cotidianamente. O gênero está aqui, posto todos os dias, em situações aparentemente corriqueiras.

 Quando os espaços da escola são divididos por cores e funções de “meninas e meninos”, afirmamos que existe uma forma de ser menina e outra de ser menino. Apresentamos o “mundo cor de rosa”, bem como definimos e indicamos comportamentos mais “adequados”. Não apenas a escola faz isso, mas as diversas instituições e poderes aos quais estamos inseridos/as desde o nascimento, como a família, a Igreja e o próprio Estado. Mas a especificidade da educação nos propõe outro percurso, porque temos como objetivo a apropriação e a reflexão sobre a construção do conhecimento. Nosso papel envolve instabilidades, apropriação de conceitos, deparar-se com as diferenças e mesmo com o desconforto, mas que é parte do próprio método científico. Tratar de gênero, portanto, é fazer o processo de desconstrução e entendimento de sua historicidade. Não é sobre como as pessoas precisam ou devem ser. É justamente por que e de que forma eles acontecem.

Portanto é impossível se furtar desse debate aqui no Colégio Santa Maria. O que necessitamos é fazê-lo pensando numa escola democrática e inclusiva. Que acolhe as múltiplas formas de viver e ser em sociedade e onde ódios e violências precisam ser problematizados e combatidos.  

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