Diga o que comes e direi quem és

Diga o que comes e direi quem és

COLÉGIO SANTA MARIA

25 de janeiro de 2021 | 07h00

Autoria – Luciano Marinho, Lucas Marchezin e Caroline Mieko

Quando você se senta para comer, já se perguntou de onde vem aquele alimento? Quem o produziu e como? Qual o caminho percorrido para chegar à sua mesa? Essas foram as perguntas iniciais que moveram a pesquisa de campo virtual dos alunos do 7º ano do Colégio Santa Maria.

Em um momento em que mantivemos o isolamento social, devido à pandemia de COVID-19, resolvemos partir de um ato cotidiano, básico e presente em nosso dia a dia, o ato de se alimentar, para desenvolver um trabalho interdisciplinar, envolvendo Geografia, Ciências e História. Um trabalho que nos fez, por meio de uma série de ferramentas digitais, extrapolar os muros de nossas casas e, ao mesmo tempo, rever uma série de costumes. Um trabalho que se estendeu de setembro a novembro de 2020, em várias atividades.

O ponto de partida foi uma pesquisa realizada sobre os hábitos alimentares dos alunos, origem dos produtos consumidos e forma de produção, feita por meio do Google Forms. Tendo como base os resultados, se discutiu em História e Ciências a história da alimentação no Brasil, as diversas formas de produção dos alimentos e os impactos ambientais ou formas sustentáveis de produção.

Concomitantemente, em Geografia, buscou-se discutir as características da estrutura fundiária brasileira e, principalmente, apreender a utilizar ferramentas de georreferenciamento como Google Maps, Google Earth e o game Geoguessr. A ideia de utilizar essas ferramentas como atividade de pré-pesquisa de campo partiu da necessidade de desenvolver habilidades de observação da paisagem a partir de uma perspectiva virtual.

Todas as discussões realizadas nesse período, entre o final de setembro e início de outubro, foram fundamentais para que no dia 23/10 fosse realizada a Pesquisa de Campo Virtual. Neste dia, por duas horas os alunos puderam, junto com os professores de Geografia, Ciências e História e nosso guia, Lucas Duarte, Agência Toca da Onça, realizar virtualmente uma pesquisa extremamente detalhada sobre as formas de produção dos alimentos.

Partimos da observação da paisagem do Colégio, vista através das fotos do Google Earth, uma rara mancha verde envolvida pelo concreto das torres e casas de um bairro típico de São Paulo. Na sequência, nos deslocamos para o município de Araras, interior de São Paulo, para observamos a Fazenda Colorado do Grupo Xandô, produtora de leite e exemplo de agronegócio.

De lá, voltamos para a cidade de São Paulo, para conhecer a Pink Farm, uma startup localizada próximo ao CEAGESP e que produz em galpões hortaliças através da combinação de hidroponia e aeroponia. Fomos então para o extremo sul da capital, em Parelheiros e Marsilac, saber um pouco mais da história dessa região, das diversas culturas agrícolas que ali se estabeleceram no decorrer do tempo, em especial aquelas ligadas à produção de produtos orgânicos e agricultura familiar. Mais do que as formas de produção, a exploração dessa região nos permitiu conhecer, mesmo que virtualmente, as histórias de vida dos que ali trabalham, produzem e compartilham esses alimentos com todos da cidade, através de todo um sistema de circulação e venda de produtos orgânicos.

Após todo esse processo e tendo como base as informações e, principalmente, as discussões ocorridas durante a Pesquisa Virtual de Campo, os alunos tiveram que elaborar um vídeo de dois minutos tendo como tema “Comer como ato de transformação socioambiental”.

Foram utilizadas três perguntas disparadoras nesse processo de elaboração do vídeo: “De que maneira a pesquisa virtual ajudou a repensar o seu consumo de alimentos?”; “Ao consumir algum alimento, é importante levar em conta como é produzido, onde e quem produz?”; “Como nós, consumidores, podemos atuar para termos uma produção de alimentos que leve em conta os aspectos ambientais e sociais nesse processo?”.

As imagens deste post ilustram as interações com o tema.

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