Diálogo: finalidade e estratégia em tempos de incerteza

COLÉGIO SANTA MARIA

04 de dezembro de 2020 | 07h00

O incerto comumente desperta em nós um receio pelo não saber. Nenhum de nós, educadores ou não, escapamos por completo desta sensação em meio a este ano atípico (para dizer o mínimo). Humanamente impossível deixar de se indagar sobre o que podemos fazer e qual a melhor maneira de executar ações em cada âmbito de nossa vida. Paralelamente a este processo, recebemos nos mais diversos espaços sociais discursos e tecnologias apresentados como soluções para nossos anseios, inclusive no que se referem aos desafios pedagógicos decorrentes deste contexto epidêmico em que estamos vivendo e aprendendo dia a dia.

Em muitos ofícios a arte de se reinventar é pré-requisito da profissão. Com certeza este é o caso de qualquer educador que se proponha, de fato, a desenvolver a leitura crítica da realidade social através da promoção de valores que balizem uma sociedade menos injusta do que já temos, objetivo passível de ser alcançado apenas com uma técnica essencial para a prática docente: o diálogo.

Diálogo entre docentes, estudantes, toda comunidade escolar e, também, com a realidade social em que este conjunto vivencia, incluindo as contradições inerentes de nossas desigualdades como motor de uma leitura fidedigna do real. E o medo? Bom, este em uma estratégia dialética é diluído, pois, ao trabalharmos em conjunto, incorporando as contradições inerentes de nosso ofício, potencializamos nossas capacidades e encontramos saídas que combinam as novas tecnologias não enquanto soluções, mas como ferramentas que são.

No Ensino Médio do Santa Maria, uma das ricas estratégias encontradas foram as atividades interdisciplinares, elaboradas como resultado da escuta e análise de demandas dos próprios estudantes, da realidade brasileira atual e da combinação entre diferentes especialidades e conhecimentos científicos para proporcionar a todos os envolvidos um processo de ensino-aprendizagem significativo. Uma das atividades realizadas, integrando conhecimentos específicos de Geografia e Sociologia, permitiram, por exemplo, que os próprios estudantes conseguissem criar e ilustrar em sites interativos as causas de problemas tão antigos quanto frequentes no Brasil, como a corrupção e o não desenvolvimento socioeconômico.

A realização desta atividade gerou uma série de pequenas aulas em que os estudantes, conscientes do processo, puderam exercitar o que os grandes cientistas sociais perceberam e, com esse tipo de atividade, estimulasse também a reflexão sobre a própria função das instituições escolares, problematizando que, se a educação no Brasil não é uma crise mas um projeto, cabe a cada um de nós da comunidade escolar, mesmo que lentamente e de diálogo a diálogo, reinventarmos nossas práticas de ensino-aprendizagem tendo como norte o pleno desenvolvimento de cada um dos envolvidos e a concretização de uma realidade social que assegure dignidade humana para todos os seus membros.

 

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