Desafios da Educação Física na pandemia

COLÉGIO SANTA MARIA

15 de março de 2021 | 07h00

Autoria – Ricardo B. Ferreira

Estes últimos 12 meses fizeram a Educação Física se reinventar. Foram muitos os questionamentos. Como daríamos as aulas? Como cumpriríamos os conteúdos? Como desenvolveríamos as habilidades? Confesso que nos primeiros quatro meses o desgaste foi tremendo, precisamos nos acostumar com a utilização de uma nova plataforma, pesquisa de estratégias, lives onde os alunos não abriam as câmeras, adequação ao espaço e aos materiais… Foram muitas as circunstâncias – todas chegariam um dia, mas de uma maneira gradual, não caindo em nosso colo de uma vez. Confesso que foi uma loucura.

Passado o primeiro semestre, graças às conversas com a orientação e com os parceiros sobre as experiências vividas, fomos nos encontrando, as frustrações foram sendo superadas, ajustamos os planos e objetivos. Acertamos que mais importante para o momento era colocar o corpo dos nossos alunos em movimento, favorecendo a saúde no enfrentamento à doença e o bem-estar mental contra o isolamento, que afetou as habilidades cognitivas, motoras e sociais.

Assim, desenvolvemos planos de condicionamento físico através de lives e exercícios adaptados, o pensar através de atividades coletivas (via plataforma tecnológica), buscando ocupar a cabeça e desenvolver as habilidades necessárias para o período em que nos encontrávamos. Nunca fugimos das diretrizes da BNCC, apenas começamos a desenvolver determinadas habilidades em uma outra perspectiva.

Já no último trimestre do ano, tivemos o retorno em atividades presenciais com pequenos grupos. Para tanto, além de protocolos de segurança desenvolvidos coletivamente com todos os setores do Santa Maria, adaptamos atividades para o momento vivido, privilegiando o lado social de interação com os pares e o movimento. Foi muito importante para aqueles que o isolamento estava afetando principalmente o lado emocional.

Este ano, enquanto as aulas seguiram divididas entre presenciais e remotas, mais uma adaptação. Nas presenciais, privilegiamos o condicionamento físico, com atividades mais individualizadas, e nas online abrimos discussões sobre algumas das aflições que jovens acabam tendo com o corpo (somatotipo, treino na academia, alimentação, entre outros), além de desafios motores como parte prática. A intenção é o início de manipulação de materiais, devidamente higienizados, para desenvolvermos habilidades de alguns jogos e esportes. Também iremos adaptar algumas práticas para vivenciar atividades coletivas.

Aqui relato de dois alunos frente aos desafios da Educação Física neste período:

“Para mim, a aula online foi uma coisa difícil, tinha muitas dificuldades em me adaptar. Acho que a aula de Educação Física foi a que ficou mais diferente. Antes jogávamos futebol, vôlei, queimada, basquete e tantos outras atividades. Então a quarentena veio e tudo mudou, nós fazíamos exercícios individuais de preparação física, abdominais, flexões, corridinhas, sequências…. Eu não era muito fã das aulas, mas muitas vezes o professor passava exercícios para fazer em casa e eu aproveitava para passar um tempo com minha família. Agora que as aulas presenciais voltaram, continuamos não fazendo jogos coletivos, mas só de ver várias pessoas ao seu lado, a situação fica bem melhor” – Beatriz Rota – 8B

 

“As aulas de Educação Física foram excelentes em minha opinião. Ambos os professores, do ano passado e o atual, sempre interagiram com a classe, dando apoio e corrigindo o que era preciso. Alguns dos alunos não tinham câmeras para o professor verificar se realmente estavam fazendo os exercícios, então eles eram super pacientes e entendiam o problema. Já aqueles que não tinham espaço para fazer certos exercícios, eram compreendidos pelo professor. Por isso, para mim as aulas foram ótimas e parecidas em boa parte com o presencial” – Clara Yumi – 8F

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