Depoimentos de duas alunas sobre trabalho voluntário

Depoimentos de duas alunas sobre trabalho voluntário

Colégio Santa Maria

05 Novembro 2018 | 07h30

“Trabalho voluntário. Muitos já ouviram essas duas palavras, mas será que sabem mesmo a importância delas? É isso o que o Colégio Santa Maria nos ensina.
Sempre tive essa vontade de ajudar os outros, e foi minha escola que me mostrou como transformar isso em boas ações. O Colégio sempre ressaltou uma única pergunta: “Qual o meu papel no mundo?”, nos ajudando a perceber que, mesmo as notas sendo deveres, elas não definem seu caráter e sua importância.
Comecei o trabalho voluntário a partir do 6º ano. Íamos a abrigos de pessoas com deficiência intelectual e fazíamos atividades com eles. No 7º  ano, visitávamos outras instituições. No 8º passamos a ficar mais com crianças. E este ano, visitamos a Adere, que é uma instituição que prepara pessoas com deficiências intelectuais para o mercado de trabalho. Lá, fazemos de tudo com eles: bijuterias, brinquedos a partir de materiais recicláveis, atividades esportivas, costura, entre outros.
Outro projeto do Colégio é o do Vale do Ribeira, onde os alunos do 9º  ano arrecadam dinheiro a partir de rifas e viajam a esse mesmo local para fazer trabalho voluntário. Ficamos por cerca de cinco dias, nos quais íamos para as comunidades mais pobres do local e fazíamos atividades com as crianças. Somos conhecidos como os “vermelhinhos”, pela cor de nossas camisetas. O laço e o carinho que críamos com essas crianças  (e também entre nós mesmos) nos mostrou o quão maior o mundo é além de nossa zona de conforto.
Foi uma das melhores experiências que já vivenciei, que me mostrou o quanto o trabalho voluntário é uma situação de troca, pois ao dar seu amor a essas pessoas, você recebe o dobro ou triplo de volta. O que acho mais bonito de ser voluntário é que, às vezes, pensamos que estamos fazendo um favor ao outro, ensinando-o algo. Quando na verdade, aprendemos coisas com eles. Quantas situações já vi, em que a pessoa era tão humilde, mas muito mais feliz que algumas outras que tem “tudo”…
Fazer um trabalho voluntário expande seu olhar sobre tudo e nos faz refletir o quanto pequenas ações fazem a diferença. Afinal, podemos não mudar o mundo, mas sempre podemos colorir o mundo de alguém.” –

Amanda Lopes, 9º ano A

 

“A adolescência é o período em que  estamos  construindo nossa identidade. Muitos jovens se sentem perdidos, procurando formas de encontrar sua identidade.   É importante olhar para si mesmo, passar um tempo sozinho procurando descobrir seus gostos e habilidades. Como todo adolescente, eu passei por essa fase, mas de um jeito diferente: com o trabalho voluntário.

Eu nunca imaginaria que ajudando outras pessoas,  indo às instituições, trabalhando com uma diversidade de pessoas ajudaria  a formar quem sou. Nós temos a equivocada impressão de que somente nós iremos expressar o amor por essas pessoas tão diferentes de nós. Contudo, o que descobrimos depois de um tempo é que eles retribuem esse amor de uma forma muito maior. Em todas as instituições percebemos que nós não somos os professores, eles são. Família e escola nos ensinam a tratar o próximo com amor independente das diferenças, a não julgar as pessoas pela aparência ou pela deficiência que possuem, nos ensinam a sermos pessoas melhores. Por que muitas pessoas, ao olhar para eles, apenas observam as suas privações? Nós temos a oportunidade de enxergar muito além disso. Conseguimos ver que somos todos iguais.

Com o trabalho voluntário, pude aprender que não conseguiremos salvar todo o mundo; no entanto, se conseguirmos mudar o mundo de alguém ou a realidade na qual essa pessoa se encontra, isso já valeu a pena, significa a mesma coisa. Ao tirar um sorriso espontâneo ou um abraço apertado de alguém, nada nesse mundo vale mais, e nada conseguirá reproduzir essa sensação. O Vale do Ribeira é um complemento de tudo isso, foi a melhor experiência da minha vida, visto que mais uma vez nos ensinaram que roupas de marca, carros caros e casas enormes não significam nada perto do amor.  Pudemos observar que o amor é o que move a vida e tudo ao seu redor. Ele está presente desde os pequenos gestos, como desejar um bom dia a alguém, até gestos em enormes, como construir casas para os menos afortunados.

Os pais sempre nos falam para dar valor ao que temos, e muitos pensadores dizem que só valorizamos quando perdemos algo. Eu tenho uma opinião um pouco diferente: nós valorizamos quando vimos que, para alguns, o que achamos pouco é muito. É isso que acontece no Vale do Ribeira. Ver aquela cidade tranquila, com crianças morando em grandes morros e em casas tão simples, e muitas vezes dividindo um celular em uma família de seis pessoas, ajuda-nos a ver o quão somos sortudos, e o quanto devemos demonstrar essa gratidão ajudando do jeito que podemos. O Vale do Ribeira estará gravado em meu coração para sempre, e enquanto eu puder ir, tenho certeza que estarei presente lá, pois além dos momentos com as crianças, lá eu descobri o verdadeiro significado da frase:

“Amigos a gente escolhe”, tendo em vista que mesmo com todas as diferenças de idade, permanecemos em comunhão e juntamente fazendo de tudo para todos se sentirem incluídos. No Vale do Ribeira eu me senti amada, senti-me importante. Com a comunidade pude ver que não estou sozinha, e tudo que eu penso sobre salvar o mundo de alguém não é irrelevante, já que todos nós estamos unidos em prol de um único propósito: espalhar o amor e a justiça.” – Julia Almeida dos Santos, 9º ano A