Danças circulares no Santa: cuidando do coração

Danças circulares no Santa: cuidando do coração

COLÉGIO SANTA MARIA

19 Agosto 2016 | 07h30

 

Autoria: Karin Kansog

 

Letícia Martins tem depressão. Ela não esconde essa doença; pelo contrário: apresenta-a ao mundo para ser reconhecida em suas necessidades e ter apoio em sua luta diária por uma vida mais completa e feliz. Falo dela aqui com sua permissão. Um dia, ela colocou no Facebook um post que me chamou a atenção para um sentimento que me parece ser cada vez mais presente na face da Terra: a tristeza pelo mundo em que vivemos. Ela falou assim: “é por essas e outras que meu copinho de indignação vai ficando tão cheio, mas tão cheio, que dá vontade de desistir de tudo”.

Quando li sua postagem, me lembrei de que eu já tinha me sentido muitas vezes de um jeito parecido com esse. Até os 19 anos, acordava com um vazio no coração. Mas, no ano em que completei essa idade, me permiti um fim de semana diferente: inscrevi-me em um workshop de Danças Circulares. Na primeira manhã após o primeiro dia do curso, meu coração amanheceu diferente: cheio. O que recebi das danças foram muitas dádivas, que nem cabem neste texto, mas entre elas, principalmente, esta certeza no coração de que tudo tem potencial para ficar bem. Atreladas a essa certeza, vieram outras: que podemos construir pacientemente um mundo melhor, mais próximo daquele que temos em nossos sonhos mais íntimos; que, se nos deixarmos abater pela desesperança, daí mesmo que não vamos conseguir ter forças para fazer as mudanças que queremos ver no mundo; que é preciso ter ferramentas para cuidar do coração – para que ele continue indignado com o que é ruim, mas tenha forças para trabalhar em direção ao que é bom.

Desde então, nunca deixei de dançar; mas apenas agora, exatos vintes anos depois, inspirada pelas palavras de Letícia (que, não por acaso, significa alegria em latim), me dei conta de que poderia compartilhar esse tesouro com os alunos do Ensino Médio do Santa Maria e, talvez, contribuir para que o coração dos jovens, assim como o meu, fosse preenchido pelas músicas e pelos gestos de tantas culturas que perpassam as Danças Circulares e que nos mostram que todos somos um: a mesma humanidade, que, com expressões diferentes, quer um mundo em que se possa viver harmoniosamente.

As rodas de Danças Circulares do Ensino Médio começaram no início de maio de 2016 e acontecem todas as segundas-feiras, das 12h45 às 13h15, e são abertas a todos os que delas quiserem participar.

 

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