Da pausa ao imperativo

Da pausa ao imperativo

Colégio Santa Maria

11 de junho de 2020 | 07h30

Autoria – Luciane Chiochetti e Rosana Daher

Tudo mudou! Diariamente, adaptamos nossa maneira de pensar e agir. O novo coronavírus exigiu que a humanidade diminuísse seu ritmo, não como pausa, mas como forma imperativa.

Em nossos endereços recebemos um recado muito importante: era preciso ter paciência, fé e se reinventar para que tudo desse certo. De repente o estranho já não era tão estranho assim, e já parecia tão familiar a ponto de ser motivo de resiliência.

Tivemos que encarar a realidade e compreender os riscos que estavam presentes para que pudéssemos nos antecipar em buscar todas as soluções possíveis.

Descobrimos que o recado deixado foi para que abandonássemos nossas posturas reativas e adotássemos aquela que não fica esperando as coisas acontecerem para transformarmos nosso presente. Com isso, criamos oportunidades de aprendizagens para nós e para nossos alunos.

Nos reinventamos. Reinventamos o modo de aprender e de ser ouvido.

Vale lembrar que nossas aulas presenciais eram cheias de mãozinhas levantadas, perguntas espontâneas, coleta de dados de conhecimentos prévios que alimentavam nossas ideias para as próximas atividades. De repente, nos vimos à frente de câmeras e filmadoras.

“Nada substitui o ambiente escolar, a interação, a convivência com as diferenças e o exercício diário da tolerância, mas nos adaptamos bem às aulas online, necessárias nesse momento” , diz Michelle Matuck, mãe do aluno Miguel Matuck Auad Asmar, do 5º ano, que “está curtindo e logo ajeita tudo para esperar as lives e fazer as lições logo em seguida”.

O trabalho, mesmo diferente, está sendo prazeroso, porque vimos que os alunos não estão do outro lado da tela. Pelo contrário, eles são nossos parceiros e estamos sentindo-os lado a lado, professor e aluno. Isso porque, em alguns momentos, eles nos auxiliam no uso da tecnologia, visto que, durante a live, ouvimos coisas como: “Professora, posso compartilhar a minha tela para mostrar aos meus amigos como anexar uma tarefa ou como guardar arquivos na mochila do Edmodo?”.

Assim também aconteceu com o envolvimento das famílias. “Confesso que no início foi muito assustador e estressante ver minha filha de dez anos estudando a distância. Teve choros e frases do tipo ‘eu não sei digitar rápido, prefiro escrever no caderno… é muito difícil para mim…’, mas ela enfrentou o desconhecido, se adaptou rapidamente e fez o meu olhar negativo mudar.  Ela me ensinou que devemos dar uma chance ao que é novo e que, através da Educação a Distância, está sendo possível, mesmo que de longe, estar junto com os professores e com os amigos de classe, dando continuidade ao processo de aprendizagem. E poder estar acompanhando de pertinho esse amadurecimento, ajudando-a a superar cada obstáculo que surge, contribuindo para um crescimento mútuo, está sendo muito gratificante”, revela Luciana Amaral Sato, mãe de Júlia Sato, aluna do 5º ano.

O ensino sempre foi de muito comprometimento, mas será muito maior quando recebermos os alunos novamente em nossas salas de aula, pois estarão amadurecidos, mudados e com outro olhar. “Eu achei muito estranho e tive muito medo de estudar pelo computador, mas agora que aprendi, estou gostando, porém prefiro ter aula na escola junto com os meus professores e amigos”, explica Júlia Sato, que também cita os textos enviados para as leituras diárias. “São textos que contam curiosidades interessantes, me divirto bastante com essas leituras e, ao mesmo tempo, aprendo com elas”, diz empolgada, na live, a aluna Luísa Garguilo Cordeiro. A colega Luiza Souza Nascimento completa: “A leitura diária traz muitos benefícios e desenvolve nosso conhecimento sobre o mundo, além de nos animar nesse tempo que estamos”.

Entre outros momentos significativos, podemos citar a confecção de máscara na aula de Artes com a professora Ana Angélica e a empolgação dos alunos quando os pais também participam das atividades físicas, ministradas pelo professor Ricardo Borduchi.

Reinventar-se e poder fazer disso um gerador de oportunidades para os nossos alunos que também estão vivendo este processo é a prova de que o novo é aquilo que a gente faz a todo momento.

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