DA FOTO DO BURACO NEGRO AO ECLIPSE DE SOBRAL

DA FOTO DO BURACO NEGRO AO ECLIPSE DE SOBRAL

COLÉGIO SANTA MARIA

24 de maio de 2019 | 07h30

Autoria: Ednilson Oliveira

No começo de maio, os alunos do Ensino Médio do Colégio Santa Maria, por meio do Grêmio estudantil, pediram uma palestra baseada na notícia divulgada no dia 10 de abril de 2019 sobre a primeira imagem de um buraco negro. Esta importante divulgação sensibilizou nossos alunos e, atendendo à solicitação, uma interessante discussão foi realizada.

Esta imagem foi um feito científico grandioso realizado por 200 pesquisadores de mais de 20 países, envolvendo o processamento de 5 Petabytes de dados brutos, que demoraram mais de dois anos para serem processados e analisados. A pesquisadora Katherine Bouman, estudante de pós-doutorado no Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian foi uma das pessoas responsáveis por desenvolver o algoritmo que de certa forma montou e formou a imagem deste objeto, o buraco negro.

Este buraco negro na realidade é um buraco negro supermassivo que se encontra no centro da galáxia elíptica M87, que está na constelação de Virgem, a cerca de 55 milhões de anos-luz da Terra (lembrando que um ano-luz é a medida de distância que a luz percorre em um ano, que é de 9,46 trilhões de km).

Esta imagem foi realizada em colaboração internacional usando o EHT (Event Horizon Telescope), que é um projeto contendo uma rede que conecta oito radiotelescópios dispostos em vários lugares do planeta e que juntos formam uma imagem de altíssima resolução.

Na realidade o EHT estudou dois buracos negros: o buraco negro no centro da nossa Galáxia, conhecido como Sagitário A*, com massa de 4 milhões de sóis e o buraco negro da galáxia elíptica M87, com massa de 6,5 bilhões de sóis. Apesar de mais distante, o buraco negro do centro de M87, por ser muito mais massivo, teve seus dados analisados primeiro e por isso conseguiu formar a primeira imagem até agora de um buraco negro. Esperamos em breve para ver também a primeira imagem do buraco negro da nossa Galáxia, a Sagitário A*.

Mas, o que é um buraco negro? Segundo a teoria geral da relatividade de Albert Einstein, um buraco negro é uma região do espaço onde a gravidade é tão alta que nada pode escapar, nem a própria luz. Quem calculou isso pela primeira vez, usando a teoria de Einstein, foi o físico Karl Schwarzschild, que concluiu que se fosse possível comprimir a massa de uma estrela além de um determinado limite, a luz não poderia escapar dele. Buracos negros são objetos extremamente densos criando uma deformação do espaço em torno deles.

Esta fantástica notícia, que foi a primeira imagem do buraco negro, me fez lembrar de uma outra fantástica notícia ocorrida em 1919, da comprovação da teoria da relatividade de Einstein. Esta comprovação ocorreu no Eclipse Total do Sol em 29 de maio de 1919, na cidade cearense de Sobral, portanto no céu do Brasil, há exatos 100 anos. Devido a isto, este ano é o ano comemorativo dos 100 anos do Eclipse de Sobral e vários eventos estão sendo realizados no Brasil e em particular, no Santa Maria.

Segundo a teoria da relatividade de Einstein, um corpo muito massivo, poderia deformar o espaço e também o tempo, e com essa deformação, a luz ao passar perto deste corpo massivo poderia ser desviada. Este corpo massivo poderia ser, por exemplo: um buraco negro ou até mesmo o Sol. Ou seja, a trajetória da luz ao passar perto do Sol poderia sofrer um desvio significativo.

Usando a teoria de Einstein os astrônomos calcularam o desvio de uma estrela ao passar pelo Sol e que poderia ser vista no eclipse total do Sol. Esta expedição de observação foi realizada pelo astrônomo inglês Arthur Eddington e pelo astrônomo brasileiro Henrique Morize. A cidade de Sobral foi escolhida, por ser, na época, a melhor cidade com condição de visibilidade para observação do eclipse. O eclipse durou cinco minutos e 28 segundos e o desvio de 1,75 segundos de arco da estrela foi observado. Este desvio foi exatamente o calculado e foi uma prova contundente para a validação da teoria.

Tanto a imagem do buraco negro em M87 quanto o eclipse de Sobral vêm colaborar e enriquecer cada vez mais com a Relatividade de Einstein. Sendo assim, são eventos que precisam ser compreendidos em profundidade, como vem sendo a demanda dos alunos.

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