“Da água se faz vida. Pela água se permite a vida”

“Da água se faz vida. Pela água se permite a vida”

COLÉGIO SANTA MARIA

08 de abril de 2019 | 14h24

Autoria: Caroline Mieko Agata Moreira e Gilberto Soares

As primeiras formas de vida estiveram presentes na água. Da água a vida migrou, após milhões de anos, para os mais diversos ambientes terrestres. Para passou a exibir uma infinidade de adaptações para sobreviver num ambiente no qual ter disponibilidade de água passou a representar a possibilidade de viver ou morrer. Seguiu ampliando as suas adaptações, colorindo seu repertório, diversificando espécies e conquistando ambientes até então inabitáveis com a presença de seres como nós, humanos.

Em nossa essência está a capacidade de modificar o ambiente para que a nossa sobrevivência possa ser possível, assim permitimos cada vez mais (e em uma velocidade incrível) que novos locais possam ser habitados, que novos produtos possam ser disponibilizados, facilitando a vida – a nossa, é claro! Se você pudesse perguntar, para qualquer outra espécie de ser vivo (que não o Homo sapiens sapiens), a sua opinião sobre a nossa forma de sobreviver, ele no mínimo responderia: CATASTRÓFICA.

Catastrófica porque para a nossa sobrevivência acabamos por danificar, poluir e contaminar aquilo que nos serve de base como seres vivos: a água.

Na busca por bens de consumo tecnológico, necessitamos de minérios que destroem solos, contribuem para o desmatamento e contaminam rios e mares com o despejo de resíduos dessa atividade, quando não temos desastres como o de Mariana e Brumadinho, que num espaço curto de tempo mataram cidades inteiras, pessoas e a dignidade de quem ficou para ver e viver das águas contaminadas e mortas de seus rios.

Na busca por combustíveis que façam nossos objetos de desejo funcionarem, alagamos imensas áreas, condenando muitas espécies da flora e fauna à morte, além de afogar toda uma cultura e memória dos povos que ali habitavam por séculos. Poluímos também mares e oceanos com os desastres envolvendo os navios que transportam petróleo e plataformas que afundam e deixam, por dias a fio, uma imensidão de óleo vazando.

Na busca por espaço e conforto, construímos cidades sem o devido planejamento e despejamos em nossos rios os rejeitos da nossa vida, matando essas águas e impossibilitando que outras vidas sejam possíveis.

Na busca por água potável, compramos água em garrafas plásticas que logo serão descartadas, enquanto seguimos poluindo nossos cursos d’água. Raras são aquelas que recebem o destino adequado, são recicladas e ganham nova vida, contribuindo para a nossa vida e as demais formas de vida que aqui comungam desse espaço.

Mais do que um dia (22 de março – Dia Mundial da Água) para se pensar e discutir a nossa relação com esse bem tão valioso, é necessário ampliar no tempo e no espaço a consciência do quanto ela é preciosa e ao mesmo tempo tão relegada a segundo plano.

Foi com a intenção de promover essa ampliação que os alunos do 7ºano do Santa Maria. trabalharam dentro dos componentes de Arte, Ciências e Geografia as problemáticas que orbitam a questão da água: a contaminação por diferentes fontes (esgotos, rejeitos de minério e lixo), as políticas públicas (ou a falta delas) para o gerenciamento e preservação e o crescente e exagerado consumo desse recurso natural. Como produto final, nasceu uma instalação que representa a natureza morta, por meio das aquarelas (técnica em que se utiliza água em sua execução) associada a animais empalhados, representando a natureza morta pela carência de água. A água que dá vida à Arte é a mesma água, que agora destruída, retira a vida.