Cultura Religiosa: um espaço para a reflexão e para a crítica

Cultura Religiosa: um espaço para a reflexão e para a crítica

Colégio Santa Maria

11 Março 2016 | 07h30

Autor: Thiago Braz 

1103No Ensino Médio do Colégio Santa Maria, a disciplina de Cultura Religiosa é oferecida para que os (as) alunos (as) conheçam as diversas tradições religiosas e as múltiplas formas pelas quais são vivenciadas na contemporaneidade.

A proposta não se reduz à voga do “politicamente correto”, caracterizado como expressão de um multiculturalismo fácil. Reage-se ao reducionismo que concebe a diversidade religiosa através da lógica homogeneizadora da moda. As altitudes do Tibete, os mistérios da Índia, os segredos das florestas americanas, a mística judaica, tudo deve estar ao alcance das mãos para que se possa suprir a demanda de mercado engendrada pelo refluxo das espiritualidades tradicionais.

Sem que se cumprissem as previsões de um pleno “desencantamento do mundo”, surge uma religiosidade soft, uma espiritualidade “objeto de consumo”, nas quais as alteridades culturais são reduzidas ao exotismo, uma das figuras da absorção etnocêntrica do outro.

Tampouco, cede-se ao obscurantismo do atual elogio ao “politicamente incorreto”, versão abrandada e supostamente bem-humorada das formas mais amplamente conhecidas de preconceito e intolerância, posturas que definiram historicamente a cultura ocidental a despeito de sua autoproclamada racionalidade. O “politicamente incorreto” não é mais que a versão laicizada daquilo que pretendia criticar nas religiões, o fundamentalismo.

No momento em que as religiões experimentam um novo avivamento, não raro identificado ao conservadorismo, a escola convida seus (suas) alunos (as) a refletir sobre as tensões que marcam o campo religioso, rastreando as potencialidades éticas das religiões diante de um mundo marcado pela experiência do vazio do sentido.

Ao longo no ano, serão abordados temas como: o potencial reacionário e revolucionário da religião; a necessidade de reencantar as existências corroídas pelos padrões da racionalidade instrumental; o islamismo e a crítica à islamofobia; as cosmologias ameríndias e sua compreensão do modo de vida colonizados; as religiões afro-brasileiras no contexto das desigualdades raciais que constituem a nossa experiência social.