Cultura infantil na escola

Cultura infantil na escola

COLÉGIO SANTA MARIA

11 de março de 2020 | 09h06

Autoria: Elizabeth Nishiyama Muniz

 

“A criança é feita de cem.

A criança tem cem linguagens e cem mãos.

Cem pensamentos

Cem formas de pensar, de brincar e de falar.

Cem e sempre cem modos de escutar, de se maravilhar, de amar.

Cem alegrias para cantar e compreender.

Cem mundos para descobrir.

Cem mundos para inventar.

Cem mundos para sonhar”.

Loris Malaguzzi (De jeito nenhum. As cem estão lá, 2016, p.21).

 

O brincar é a linguagem de comunicação e expressão da criança, por isso ela precisa “mergulhar” genuinamente em suas experiências. Na Educação Infantil do Santa Maria, os educadores têm a concepção de criança como um ser potente, repleto de características, habilidades e preferências permeadas pelo meio em que vive. Nesse sentido, não é uma criança que pode “vir a ser” algo no futuro: ela é um sujeito carregado de vivências, gostos, potencialidades.

Tendo em vista essa concepção, a criança é protagonista no cotidiano, e os educadores lançam mão de elementos que possibilitem ludicidade, privacidade, relações, identidade, tempo, investigação, criação, exploração efetiva de vivências e expressão em suas diferentes “cem” linguagens.

Neste viés, organizamos diferentes propostas em formato de territórios em sala de aula e também utilizamos os espaços externos do Colégio, como bosque, campo gramado, praça da amizade. O brincar em meio à natureza possibilita, entre outros fatores, a criação e a relação com o inédito. Traduz a sensibilidade potente das crianças em narrativas e expressões ligadas às percepções que têm sobre o mundo, favorecendo percepções, sensações, tempo para vivenciar. Esse tempo não é o tempo do relógio, é o tempo de cada um. Tempo para observar, contemplar, sentir, investigar, conhecer, explorar, se apropriar, se relacionar, refletir, inventar, criar!

“A imagem da criança é, acima de tudo, uma convenção cultural (e, portanto, social e política) que torna possível reconhecer nelas certas qualidades e potenciais, e interpretar expectativas ou, ao contrário, os negam. Aquilo que pensamos sobre as crianças se torna, então, um fator determinante na definição de sua identidade ética e social, de seus direitos e dos contextos educacionais que lhes são oferecidos” (RINALDI, 2012, p.156).

 

É um fio condutor de novos significados, a fim de reconhecer e interpretar as linguagens e saberes das crianças, criando proposições com o objetivo de tornar visíveis os convites para novas experiências das crianças. Para uma cultura de infância acessível e respeitosa!

 

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