Corpo, movimento, cartografia… A geografia na Educação Infantil

Corpo, movimento, cartografia… A geografia na Educação Infantil

Colégio Santa Maria

07 Junho 2017 | 07h40

“O espaço no qual o corpo é vivido nas delicadezas, nas durezas, nas asperezas, nas sutilezas dos toques, dos sons, dos cheiros, dos olhares, dos gostos. Cinco sentidos, sete sentidos, quantos mais houver, para viver e sentir: terra, plantas, espaços, bichos, gente grande e gente pequena, terra, água, fogo”- Dulcilia Buitoni

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sempre que nos reunimos (professoras da Educação Infantil do Colégio Santa Maria) para revisitar a área de Geografia e retomar as habilidades a serem desenvolvidas (observar, experimentar, vivenciar, comparar, localizar, conhecer, explicar, representar etc), temos o cuidado de não perder de vista quem são os sujeitos da aprendizagem, pensar como crianças tão pequenas se apropriam de noções de representação, espaço, tempo, escala.

A não ser pelo corpo, que pertence a um espaço vivido (experimentado), percebido (representado) e concebido (evocado), que se constrói em imagem e esquema, que brinca envolvendo lateralização e relações topológicas (espaços próximos) como: dentro/fora, em cima/ embaixo, ao lado, na frente, atrás, perto, longe.

Corpo que experimenta e percebe o espaço quando se desloca e descobre o dentro/fora, em cima, embaixo…

Por isso, nossas práticas estão voltadas para o trabalho de sensibilização e percepção deste corpo que se constrói na relação com o outro, nas brincadeiras e no pertencimento dos territórios de aprendizagem.

As crianças constroem a imagem do corpo passando tinta, água, argila, terra molhada… vivenciam campos de experimentação e pesquisa; descobrem contornos e dobras; sentem a barriga, as mãos, os pés, o rosto e percebem que este corpo, além de produzir conhecimento, pode ser tocado, desenhado e habitado.

Corpo que experimenta e percebe as partes; que forma a imagem e o esquema corporal.

Brincando, se tornam mapeadoras do seu espaço conhecido (corpo), são inseridas num processo onde se inicia, por meio da experimentação e da vivência, as primeiras noções de cartografia (ocupação do espaço e suas referências) e relações espaciais topológicas.

Mapeadoras de seus corpos e dos territórios que ocupam, começam a deixar impressões e percepções. Brincando de andar em muretas, equilibrar-se em bancos suecos, subir e descer trilhas, árvores exploram as dimensões corporais e as relações espaciais. Deixam de perceber o “aqui” e incluem o “acolá”, formam conceitos (próximo/distante, ao lado de, atrás de etc) e constroem conhecimentos.

Corpo que se identifica com o outro – neurônios espelho

Por isso, promovemos oportunidades para que os grupos da Educação Infantil tenham espaço, tempo e boas oportunidades para “andar, correr, saltar, subir, descer, escorregar, puxar, deitar, sentar, dançar, rolar, localizar, descrever, observar, apreciar, encantar…”.

Ouvir e viver o entorno construindo relações com os objetos, posições, distâncias, localizações, deslocamentos etc. Nosso quintal (bosque, quadra, corda do Tarzan, trilha) é local privilegiado, a área nobre da nossa Escola, onde “o corpo é vivido nas delicadezas, nas durezas, nas asperezas, nas sutilezas dos toques, dos sons, dos cheiros, dos olhares, dos gostos. Cinco sentidos, sete sentidos, quantos mais houver, para viver e sentir: terra, plantas, bichos, espaços e territórios”.