Cine-militância: a importância do feminismo negro

Cine-militância: a importância do feminismo negro

Colégio Santa Maria

23 Outubro 2015 | 09h52

Construir um espaço para entrar em contato com as experiências e as demandas dos movimentos sociais: este é o objetivo do cine-militância, evento que integra o projeto Ike Zumbi realizado entre agosto e novembro deste ano no Colégio Santa Maria.

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Fonte da imagem Feminismo_negro_out_2015: https://observatoriosc.wordpress.com/2015/08/26/edital-2015-do-frida-recebe-inscricoes

No evento deste mês recebemos a militante, feminista intersecional, pesquisadora e educadora Luma de Oliveira para debater o filme 25 de julho: feminismo negro contado em primeira pessoa.  Na roda de discussão, com a participação de convidados da comunidade Santa Maria e de alunos e alunas do Ensino Médio, tivemos a oportunidade de conhecer as teóricas feministas brasileiras e estadunidenses como Lélia Gonzáles e bell holks (em letras minúsculas), discutir a história do movimento feminista negro e perceber suas diferenças em relação ao movimento branco e de classe média.

A convidada iniciou o debate mostrando a importância da criação de um movimento que garantisse a representatividade das mulheres negras, na medida em que estas denunciavam que suas reivindicações não eram ouvidas pelo movimento negro ou pelo movimento feminista branco. Era preciso levar em consideração as especificidades do passado escravocrata para a mulher negra, violentada sexualmente e serva do lar, e as diferenças que ainda sobrevivem, 200 anos depois, seja em relação à mulher branca no que se refere às diferentes ocupações e salários ou na manutenção de alguns estigmas como o ofício de empregada doméstica, a objetificação sexual através do signo da mulata e o ideal de beleza em que o cabelo crespo é chamado de ruim.

O encontro foi uma possibilidade riquíssima para entrar em contato com a complexidade das demandas do movimento negro e do movimento feminista, em que se mostrou evidente a necessidade de observar a sobreposição de vários marcadores sociais da diferença, contribuindo para percebermos as diversas formas de desigualdades, como no caso estudado, de gênero, raça e classe social – em virtude da histórica exclusão do negro na sociedade capitalista, presentes na experiência de ser mulher e negra.