Ciclo Democracia: uma experiência pedagógica

Ciclo Democracia: uma experiência pedagógica

COLÉGIO SANTA MARIA

20 de setembro de 2019 | 07h30

Autoria: Adriano Skoda

 

Entre os meses de agosto e setembro ocorreu no auditório Sister Chalita, no Santa Maria, o Ciclo Democracia, um projeto bienal da Área de Ciências Humanas, que desde 2014 promove uma série de atividades formativas para toda a comunidade escolar. Neste ano, o título do ciclo foi “Políticas Públicas: instrumento de afirmação para a Democracia”, inspirado diretamente na Campanha da Fraternidade de 2019, cujo tema é “Fraternidade e Políticas Públicas” e o lema, “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Isaías, 1,27).

 

Compreendendo a amplitude do tema da campanha, a Área de Ciências Humanas organizou o Ciclo em três mesas de debate realizadas entre os dias 27 de agosto e 12 de setembro. Estruturados em formato de sabatina, os debates contaram com uma participação dinâmica e ativa por parte do público presente, que provocou os convidados e levantou grandes temas para a discussão.

 

A primeira noite teve como eixo a “Reforma da Previdência” e contou com a presença dos debatedores Silvia Barbára e Carlos E. Ferreira. O auditório do Colégio estava repleto. A temática urgente – em tramitação no Senado – mobilizou o público e permitiu uma longa e proveitosa discussão acerca dos desafios da atual estrutura previdenciária e dos impactos da proposta que está em análise no Legislativo. Os debatedores destacaram o fato de a atual previdência estar inserida constitucionalmente como parte da estrutura de Seguridade Social garantida pela Constituição de 1988, que organiza e garante recursos para saúde, assistência social, além da previdência. Assim, destacou-se o fato da mudança da previdência alterar também a Constituição e reestruturar as garantias legais dos trabalhadores.

 

No segundo dia de debate, realizado na chuvosa noite do dia 6 de setembro, estiveram persentes o Deputado Carlos Giannazi e Mauricio Faria para debater o “Direito à Cidade”. A sabatina, que contaria inicialmente com a Deputada Luiza Erundina – ausente por conta de problemas de saúde –, teve como ponto de partida uma detalhada análise do déficit habitacional na cidade de São Paulo, onde quase 500 mil famílias aguardam moradia e que possui cerca de 1.500 imóveis ociosos. Tal quadro levou o público a refletir sobre as desigualdades de acesso à moradia e sobre a importância dos projetos habitacionais para a população de baixa renda. Contudo, as perguntas do público permitiram que o debate fosse além e englobasse temas como a exclusão cultural na cidade de São Paulo ou ainda a importância dos equipamentos públicos para a construção de uma experiência de cidade mais digna e prazerosa. Exemplos como o da Paulista aberta e do Minhocão foram destacados ao longo da discussão.

 

O Ciclo chegou ao fim na noite de quinta-feira, 12 de setembro, com o tema “Políticas afirmativas”. A atividade contou com a presença da Profª. Drª. Marina Mello e da Vereadora Juliana Cardoso que desde o início analisaram as políticas afirmativas a partir de uma análise histórica, compreendendo tal debate como próprio da estrutura democrática. A reflexão levantada pelas debatedoras teve como ponto central a teoria dos subalternos, desenvolvida inicialmente pela filósofa Gayatri Spivak em seu livro “Pode o subalterno falar?”. Sendo os subalternos aqueles que não possuem representatividade dentro da sociedade democrática, as convidadas refletiram sobre a forma da invisibilidade das minorias, bem como trouxeram importantes exemplos de estratégias de ação social em prol da garantia de direitos. Foi destacado ainda como as políticas públicas, ao longo dos últimos anos, têm sido criadas por meio de ações coletivas junto aos parlamentares sensíveis às causas.

 

Ao final do evento, a sensação compartilhada por todas aquelas pessoas que trabalharam na construção do Ciclo Democracia de 2019 era a de profundo agradecimento junto ao público presente e aos convidados, bem como a sensação de dever cumprido. A atividade se mostrou um rico espaço de trocas e reflexões, em que o contraditório teve espaço para se manifestar e a escuta atenta não permitiu que o senso comum ou qualquer forma de preconceito se manifestassem a fim de impedir a construção do diálogo.

 

Em tempos tão duros, a democracia segue viva na Escola!

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