Brincar/performar para a superação de conflitos em sala de aula

COLÉGIO SANTA MARIA

05 de outubro de 2021 | 06h00

No retorno às aulas presenciais, os professores do 8º ano do Ensino Fundamental do Colégio Santa Maria logo perceberam uma certa intensificação de conflitos e que alunos e alunas estavam enfrentando dificuldades para se perceberem como um grupo coletivo, pautado pelo respeito e pela pluralidade dos pensamentos dos mais diversos sujeitos. Assim, a equipe docente recorreu ao brincar/performar como alternativa metodológica.

Segundo os autores Newman e Holzman, o brincar/performar permite que os estudantes criem “possibilidade de reconstruir suas identidades e criar novas formas de agir” e possam ir além das possibilidades imediatas dadas pelo contexto, sendo capazes de desenvolver um pensamento crítico, reflexivo e criativo.

Enfim, chegou o dia de brincar/performar. Inicialmente, formaram-se duplas e pares com colegas que possuíam maiores conflitos ou menor relacionamento dentro da sala de aula. Cada dupla recebeu um pequeno papel, com uma cena teatral baseada em uma situação de conflito real, já vivenciada pela turma. Os papeis indicavam a cena, os sujeitos participantes e trazia a pergunta: como resolver?

As duplas, então, foram instigadas a performar aquela cena, assumindo-se em outros papeis, para todo o grupo. Aquele que se rotulava como “bom aluno” se assumiu como o que se identificava como “mau aluno” e vice-versa. Alguns se colocaram como professores e coordenadores. Logo, ao serem capazes de performar/brincar com os conflitos já vivenciados pelo grupo e assumindo outros papeis, os estudantes puderam promover a imersão na realidade vivida.

Em um segundo momento, pautado pela reflexão sobre a imersão da realidade, todos foram convidados a refletir sobre as performances. Nesse momento, solicitamos palavras-chave e sentimentos que representassem o momento vivenciado, a fim de construir as primeiras generalizações críticas sobre as cenas/conflitos. Por fim, assumimos um compromisso coletivo com o bem-viver da sala e escrevemos, conjuntamente, algumas ações que precisariam guiar as nossas práticas como estudantes para a promoção do respeito e do convívio dentro do espaço escolar.

Os professores perceberam que os adolescentes foram capazes, ao longo das performances/brincadeiras, assumir outros papeis e reconhecer no outro a possibilidade da construção da própria identidade/subjetividade. “Os conflitos não terminaram, mas esta escolha metodológica se assumiu como uma potente ferramenta para o nosso fazer docente”, declara Victor Fernandes Fiorotti, professor de Inglês da série.

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