Autobiografia – um mergulho na história de vida dos alunos

Autobiografia – um mergulho na história de vida dos alunos

COLÉGIO SANTA MARIA

05 de abril de 2021 | 07h00

Autoria – Lucas Tadeu Marchezin

Nas primeiras aulas do 7° ano do Santa Maria retomamos alguns conceitos trabalhados no ano anterior. Falamos sobre o método de trabalho do historiador, comparamos com o do detetive e, a partir dessa comparação inusitada, discutimos como se dá a produção do conhecimento em História. O objetivo é reforçar a concepção de que aprender História não é apenas acumular um conjunto de conhecimento sobre o passado, mas sim realizar processos investigativos a partir de um método de pesquisa.

Assim, falamos do processo de busca e organização das fontes históricas (escritas, visuais, materiais e orais), da análise delas, da leitura das fontes bibliográficas (textos de outros historiadores) e da construção de sínteses sobre o passado (escrita da história). Embora toda essa parte conceitual seja trabalhada e retrabalhada ao longo do curso, a discussão do processo de investigação do historiador muitas vezes se perde nas discussões sobre o conteúdo abordado na série.

Foi justamente para dar mais concretude a essas discussões que realizamos, no primeiro bimestre deste ano, a construção de uma autobiografia por parte dos alunos. O objetivo principal deste trabalho é tanto aplicar os conceitos e métodos de trabalho do historiador, quanto consolidar a concepção do aluno como sujeito histórico, perspectiva trabalhada com ênfase no 6º ano.

O ponto de partida foi a proposta de elaboração de uma primeira versão da autobiografia, nas primeiras aulas do curso. Como mote foi usada a ideia de se apresentar, para o professor e para a turma, a partir de um breve relato de sua história. Feito isso, iniciou-se um ciclo de oficinas sobre como trabalhar com os diferentes tipos de fontes históricas, em especial as fontes escritas, visuais, orais e materiais.

Depois de todo esse processo foi proposto aos estudantes um trabalho intitulado Autobiografia, um mergulho na sua história. A ideia geral era retomar a primeira versão da autobiografia e, a partir da discussão sobre o método do historiador, aplicá-lo na ampliação do texto produzido. Para tanto, as atividades foram divididas em duas etapas.

A primeira consistiu na seleção de fontes visuais (fotos) e orais (entrevista), assim como na organização delas. Nesse sentido, em um arquivo do Google apresentação, os alunos tiveram que – com as fotos selecionadas – montar uma linha do tempo de sua vida, sistematizando assim os acontecimentos em ordem cronológica. Após isso, tiveram que inserir também a entrevista realizada com um parente próximo, tendo como tema a sua infância. A ideia é que se utilizassem das técnicas de entrevista para colher informações sobre os primeiros anos de vida.  Feito isso, eles foram instruídos, na segunda etapa, a retomar o texto produzido no início do ano e, a partir das informações colhidas na etapa anterior, ampliá-lo.

Embora pareça uma atividade simples e até corriqueira, nosso objetivo ao realizar essa sequência de atividades foi dar, como já mencionado, a concretude aos conceitos trabalhados no início do ano. Com isso, buscamos partir da investigação de um objeto bem familiar a eles, a sua história, de modo a aplicar o método de trabalho do historiador. Assim, colocamos em uso os conceitos discutidos, dentro de uma perspectiva de História que vai além do simples acúmulo de conhecimento sobre o passado.

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