As questões motoras depois de um ano de ensino remoto

As questões motoras depois de um ano de ensino remoto

COLÉGIO SANTA MARIA

03 de março de 2021 | 07h00

Autoria – Gisele Coli

Permanecendo um longo tempo em casa, sem a ocupação dos territórios naturais (praças, parques), sem atividades físicas diárias e brincadeiras motoras, notamos que, com o retorno das aulas presenciais, as quedas e a insegurança ao caminhar nos diferentes espaços e terrenos (íngremes, irregulares, acidentados etc) aumentaram consideravelmente.

No Colégio Santa Maria, as crianças têm contato com a natureza, brincam com a terra, com a areia e até mesmo com o vento, sobem em árvores, escalam obstáculos, brincam livremente pelos ambientes externos. São experiências que favorecem o desenvolvimento corporal e o refinamento de habilidades motoras.

Afinal, ao subir e descer escadas, rampas, escorregadores, bem como caminhar na terra, na areia, no paralelepípedo, na guia de calçadas, as crianças, brincando, trabalham questões como tonicidade, força, impulso, ritmo, velocidade, lateralização etc. Competências motoras que se desenvolvem quando exploram o corpo no espaço e nas interações sociais.

Por isso, nossos investimentos, não só por conta das dificuldades causadas pelo distanciamento e isolamento, têm a intenção de ajudar as crianças a experimentarem vivências e propostas de corporeidade (individualmente ou coletivamente) no ambiente escolar. Possibilidades de, junto com o amigo, correr, saltar, equilibrar-se em cordas, muretas, desviar de obstáculos, enfim, construir conceitos e memórias motoras de suas experiências.

E a observação, o olhar atencioso e a percepção da individualidade de cada criança são essenciais para promover estas experiências, intervenções que colaboram (colaborarão) para o desenvolvimento de habilidades, superação de dificuldades e desenvolvimento integral e consistente.

Como diz André Trindade: “A mão explora, a pele sente, o cérebro concebe”, nesta compreensão da percepção dos sentidos e da pele que reveste o corpo, desejamos neste ano que todos nós, crianças e adultos vivam experiências de con-tato (de toque, de textura, de afeto, do convívio), pois todo ser humano necessita, para o seu completo desenvolvimento e aprendizagem, de seus pares e da relação com o entorno, com a natureza que nos acolhe, nos envolve.

E com esta ideia de natureza que envolve, trago Silvia Rosenbaum…

“De olhos fechados abraço
a natureza das coisas
minha fina casca
meu envelope vivo
minha senha secreta
esconde, suporta e
revela meu
forro grosso, meu
mapa de mil folhas,
em única versão”. 

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