Aprofundamento experimental

Aprofundamento experimental

Colégio Santa Maria

24 Julho 2015 | 07h00

As atividades experimentais no ensino de Ciências da Natureza no Ensino Médio do Santa Maria

O ensino da Ciência costuma ser um verdadeiro desafio para os professores. Algumas das dificuldades mais frequentes são próprias do caráter que os diferentes componentes curriculares assumem no Ensino Médio, como a extensão dos conteúdos, o grau de abstração ou o formalismo matemático envolvido. Considerando esses entraves, descartar a atividade experimental no ensino de Ciências poderia parecer uma opção metodológica que favorecesse o aprendizado, otimizando recursos. No entanto, uma escolha dessa natureza significa destituir o conhecimento científico de seu contexto, reduzindo-o a um sistema teórico e abstrato de definições, leis e fórmulas, que dificilmente fazem sentido para o aluno.

As dimensões teórica e empírica do conhecimento científico não são isoladas e devem estar em diálogo permanente. “Não se trata, portanto, de contrapor o ensino experimental ao teórico, nem de somar um ao outro, mas de encontrar formas de superar a fragmentação que tornem a aprendizagem interessante, motivadora e possível”, defende Maria Soledad Más Gandini, coordenadora da área de Ciências da Natureza e Matemática do Ensino Médio do Santa Maria.

Nessa perspectiva, o trabalho experimental assume o importante papel de trazer significado às teorias em estudo, não para serem meramente comprovadas, mas para serem compreendidas e, principalmente, discutidas. Dessa forma, a experimentação constitui uma estratégia de ensino e não um fim em si mesma, permitindo que a relação entre teoria e prática constitua uma via de mão-dupla, na qual se vai dos experimentos à teoria e das teorias aos experimentos, para contextualizar, investigar, questionar e retomar conhecimentos, num movimento permanente de construção e reconstrução de conceitos.

Quando as aulas estão situadas num contexto histórico-tecnológico e se relacionem com o aprendizado do conteúdo teórico, o conhecimento empírico pode servir de base para a construção de modelos explicativos, permitindo que os alunos ampliem seus repertórios, negociando sentidos entre si e com o professor durante as aulas. Além disso, novos conceitos podem ser introduzidos como resposta aos problemas levantados a partir de um experimento, aos questionamentos realizados pelos alunos ou à identificação de concepções alternativas existentes em relação ao tema em foco. “Utilizar experimentos como ponto de partida, para desenvolver a compreensão de conceitos, é uma forma de levar o aluno abandonar uma postura passiva e começar a interagir com o seu objeto de estudo por meio da investigação”, explica a coordenadora.

É nessa perspectiva que os professores de Química do Ensino Médio inserem o trabalho experimental em seus cursos regulares e propõem um curso de aprofundamento em Química Experimental para as 1as e 2as séries. Este curso, integralmente desenvolvido no laboratório, tem por objetivos:

  • – Exercitar a resolução de problemas por meio da vivência de projetos de investigação;
  • – Permitir o aprofundamento no manejo de materiais e uso de técnicas de laboratório;
  • – Estimular a observação acurada e o registro cuidadoso dos dados;
  • – Permitir a formulação de hipóteses, mobilizando conhecimentos prévios e levando à ampliação permanente de repertório conceitual como forma de fundamentação;
  • – Promover a análise e reflexão sobre os resultados, superando afirmações baseadas no senso comum;
  •  – Expor formalmente os resultados, as análises e conclusões oralmente e por escrito;
  • – Considerar novas abordagens a partir das perspectivas analisadas.

Em aulas semanais, essa proposta de trabalho procura assegurar não apenas o domínio conceitual necessário, mas também as etapas a serem desenvolvidas e os procedimentos de segurança envolvidos. Para isso, cada estudante registra e apresenta, no início da aula, um protocolo de reagentes contendo nomes, fórmulas, propriedades físicas, propriedades químicas, descrição dos cuidados de armazenagem e manuseio, informações sobre toxicidade e primeiro socorros específicos, além de um fluxograma da prática que será realizada naquele dia.

Ao longo da aula, reunidos em grupos de trabalho, os alunos conduzem a atividade com postura investigativa, procurando estabelecer relações entre conceitos da Química e também com conceitos de outras disciplinas, propondo questionamentos. Dessa forma, além da ampliação permanente do repertório do aluno, enfatiza-se a dimensão coletiva da produção científica, considerando os pontos de convergência com outras áreas do conhecimento e possibilitando a reflexão sobre a importância das situações propostas, dando sentido ao seu estudo, tendo em vista as relações entre Ciência, tecnologia, sociedade e ambiente.

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