Apólogo: a capacidade de propor mudanças paradigmáticas de forma alegórica

COLÉGIO SANTA MARIA

31 de agosto de 2020 | 07h30

Autoria – Jean Faria

“Ao acabarem todos só resta ao homem […] a dificílima dangerosíssima viagem de si a si mesmo: pôr o pé no chão do seu coração, experimentar, colonizar, civilizar, humanizar o homem, descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas, a perene, insuspeitada alegria de conviver” (ANDRADE, C. D. 1978: 20-2).

 

Num piscar de olhos fomos impulsionados a adaptar-nos e reinventar nossa maneira de relacionarmos com o mundo, com o outro e conosco mesmos. A convivência colocou-nos, como seres de relação, numa disposição incansável de aprendizado diante das adversidades.

A comunidade educativa-pastoral do Colégio Santa Maria, atenta à realidade em que vivemos, possibilitou a transformação dos saberes dos alunos numa conexão consigo mesmo, com o mundo e com a família. Tal processo de ensino-aprendizagem continuou a dar condições de desenvolvimento de competências e habilidades dos educandos, sobretudo, porque além de oferecer mediações para o conhecimento científico e acadêmico, capacita-os para um olhar crítico e engajado com a realidade do mundo.

 

Assim, por meio do trabalho interdisciplinar entre os componentes de Língua Portuguesa e Ensino Religioso, os alunos do 6º ano puderam construir apólogos que versassem sobre este momento de pandemia. Com elementos reflexivos sobre os modos de relacionamentos das pessoas da disciplina de Ensino Religioso, e características de gêneros textuais, o apólogo, de Língua Portuguesa, despertou nos alunos criatividade, consciência crítica, cuidado de si e do outro, solidariedade, espiritualidade, familiaridade e a amizade.

 

Para a professora Renata, de Língua Portuguesa, além da sensibilização para o cotidiano, “o trabalho interdisciplinar promoveu importantes reflexões sobre a empatia, solidão e a importância do outro em nossa vida”. Já para os alunos, aprender e reflexionar sobre a realidade e propor considerações relevantes para o mundo, fez com que o aprendizado se tornasse prático, palpável e conectado com a realidade.

 

Para nosso aluno Leonardo Sakamoto, a escolha dos personagens traz reflexão e leveza para a vida, pois “era uma vez uma máscara, um álcool em gel e a combinação perfeita da água com sabão; todos juntos unidos e discutindo a sua eficiência contra essa grande pandemia”.

 

Já Jean-Louis Comtesse e Sousa relata que as relações saudáveis trazem paz e harmonia, da mesma forma que o cultivo das relações com os idosos e com aqueles que estão sozinhos nesse momento é fundamental. Assim ele escreve: “a caneta virou para o papel e falou: me desculpe, eu agradeço muito por você fazer parte da minha vida, o que seria de mim sem você e o que seria do senhor Geraldo se nós dois ficássemos brigando”.

 

E para Felipe Villas Boas Garcia, a escolha da mascará e do álcool em gel como personagens principais mostra que não são somente aparatos para se usar, mas com eles a COVID-19 pode ser vencida, ou seja “a máscara e o gel ficaram em silêncio este tempo todo, estavam refletindo se fazia sentido eles ficarem discutindo em um momento tão difícil como o que estamos passando, assim concluíram que era hora de unirem mais forças para combater o vírus e vencê-lo”.

 

É tempo de se inspirar com bons textos, iniciativas equitativas, de se aprender novas habilidades e competências, de valorizar relações saudáveis e agregadoras de valores. Como professores, estamos dispostos a mediar e transformar os saberes juntos com os alunos, estamos abertos para o diálogo como toda a comunidade educativa, sobretudo, a família, pois esta corrobora para que os valores humanos sejam desenvolvidos e sugestionam para que temas como esses sejam abordados em nossas aulas, e estamos dispostos a nos refazer e reinventar para que a educação seja cada vez mais conectada com o mundo e reflexione sobre ele.

 

O tempo é nosso melhor amigo para continuarmos nossa jornada pela vida. Então, de que modo estamos investindo nosso tempo de vida? Nossas vivências produzem histórias, apólogos, relações, mas, sobretudo, a capacidade de perceber que sempre é tempo de despertar para o novo.

 

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