Alfabetização e seus reflexos pandêmicos

Alfabetização e seus reflexos pandêmicos

COLÉGIO SANTA MARIA

03 de junho de 2021 | 07h00

A alfabetização certamente foi – ou tem sido – um dos maiores desafios enfrentados pelos educadores durante o ensino remoto. No Santa Maria, com muito empenho de pais, alunos e professores, as crianças chegaram ao tão esperado letramento ao final do último ano letivo. Neste ano, o diagnóstico das novas turmas apontou que uma parcela de estudantes, especialmente aqueles vindos de outras instituições ou que não tiveram oportunidade de participar das aulas a distância, manifestou algumas dificuldades, como habilidade para segurar um lápis, por exemplo. Como resolver tal defasagem? Mais uma vez, o planejamento pedagógico teve que ser adaptado, com uma revisão do currículo.

A orientadora pedagógica do 1º ano do Fundamental, Sueli Gomes, também identificou que os pequenos chegaram ao Colégio sem orientação espacial. “Estamos propondo mais atividades ao ar livre e de movimentação”, diz a educadora. É por essa razão que a diretoria do Santa Maria optou por priorizar o retorno presencial das séries iniciais. Nesse processo pedagógico e de desenvolvimento motor, a aprendizagem também será mais prazerosa e eficaz quanto ao distanciamento social.

Parceria e olhar individualizado

A experiência de 2020 abriu novas possibilidades para o trabalho com as crianças menores. No início do ensino remoto, o Santa Maria passou a estabelecer uma comunicação constante para os pais darem os feedbacks necessários a respeito do aproveitamento das crianças. Foi dessa forma que as professoras tiveram condições de identificar as fragilidades dos alunos para, então, ajudá-los.

Muita dificuldade surgiu no meio do caminho com crianças de 6 e 7 anos de idade, que não entendiam muito bem o que estava acontecendo, muito menos tinham condições de participar das aulas de maneira autônoma. Alguns haviam chegado de outras escolas, e ainda estavam se conhecendo quando as aulas presenciais foram suspensas.

Foi o caso do Arthur Ferreira, que chegou ao Santa Maria pré-silábico, não estabelecia uma relação entre as letras e os sons. A maioria das crianças da classe dele se conhecia e já estava mais avançada no aprendizado. “Quando veio a pandemia, ele estava nessa adaptação com a escola nova, então ficava muito constrangido para se expor nas aulas pela tela do computador”, conta a mãe, Viviane Udinal dos Santos.

O menino precisava da ajuda integral da mãe, que soletrava tudo para ele durante as tarefas. “Uma lição que demoraria 40 minutos para ser concluída, ele levava três horas”, afirma Viviane. “Eu colava quadros com as sílabas na parede”, diz ela, que se dividia entre o trabalho como administradora de empresa e o acompanhamento das aulas do Arthur.

“Nós ficamos em comunicação direta o tempo inteiro”, diz a professora do aluno, Samanta Ishikawa, que deixou as famílias de suas turmas à vontade para conversar pelo WhatsApp ou por telefone. “Eu me preocupava muito com o Arthur, por isso mandava várias atividades diferenciadas para ele”, explica. “A mãe filmava o Arthur nas atividades e me enviava as gravações”, conta a professora, que reconhece que um dos ganhos do ensino remoto foi a rapidez na comunicação.

Superadas as fragilidades, um mês e meio depois do início das aulas a distância, Arthur já estava lendo e tinha perdido a vergonha diante dos colegas. “Ele até passou a levantar a mão para ler em aula”, comemora a mãe.

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