Alfabetização e práticas pedagógicas

Alfabetização e práticas pedagógicas

COLÉGIO SANTA MARIA

17 Maio 2016 | 07h30

Autoria: Rodnei Pereira

A Educação, quando pensada como ciência e como profissão, é uma das áreas mais difíceis de incorporar e de traduzir princípios de descobertas científicas porque envolve fenômenos complexos que se situam entre conhecimentos, políticas e práticas. No caso de determinadas construções teóricas, sobretudo aquelas que dizem respeito aos fundamentos da educação, sua tradução em práticas pedagógicas não é nada simples.

 

No caso da alfabetização, essa é uma ideia muito pertinente quando pensamos na multiplicidade de explicações, de diferentes bases teóricas, a respeito de como as pessoas aprendem o sistema de escrita alfabética. Entre tantas abordagens, aquelas que se situam no campo da teoria sócio-histórica, do construtivismo piagetiano e da psicologia cognitiva são as que estão no epicentro das disputas e das opções teórico-metodológicas adotadas pelas políticas de alfabetização tanto da esfera pública quanto da privada.

 

Essas disputas são sentidas, em carne viva, pelos professores alfabetizadores que vivenciam, cotidianamente, o desafio de alfabetizar as crianças e de inseri-las nas culturas do escrito.

 

Esses pressupostos embasaram o curso “Práticas de ensino do sistema de escrita alfabética – questões emergentes”, oferecido entre fevereiro e abril deste ano no Prisma – Centro de Estudos do Colégio Santa Maria.

 

Com a participação de professoras alfabetizadoras de diferentes instituições de ensino, foram problematizados os princípios e as práticas de alfabetização das participantes, pois parafraseando Michel de Certeau, “há sempre um modo de pensar embutido em uma maneira de se fazer”.

 

A partir disso, pode-se dialogar sobre a necessidade de se repensar os princípios gerais do sistema de escrita alfabética, envolvendo as contribuições das neurociências, as pertinentes e atuais contribuições trazidas pela teoria da psicogênese da língua escrita e a necessidade de se levar em conta o desenvolvimento das habilidades metalinguísticas.

 

Por meio de diferentes estratégias, como oficinas de organização e textualização de ambientes letrados, levantamento de conhecimentos prévios dos estudantes e dos pensamentos infantis sobre leitura e escrita, as participantes tiveram a oportunidade de refletir sobre suas práticas e de pensar em formas alternativas de organizar as classes, planejar boas situações de aprendizagem e de desenvolver jogos de alfabetização inéditos, que favorecem a compreensão dos “mistérios” que envolvem a escrita alfabética pelas crianças, que ainda não descobriram como ele funciona.

 

No caso da alfabetização, é urgente e necessário que as professoras e professores possam ter espaços e tempos para refletir e modificar suas próprias práticas, em processos democráticos, colaborativos e menos submetidos a pressões e formas de controle. Afirmamos isso porque vivemos tempos em que as escolas, submetidas a pressões de diferentes naturezas e atores sociais, se perdem em uma equivocada representação de que educação é um serviço de consumo e passam mais tempo exigindo e controlando os professores para que eles avaliem tantas vezes nossos estudantes que pouco se dedicam ao ensino.

 

Pela qualidade dos jogos elaborados pelas participantes dos nossos cursos, observamos que quando são criadas condições de formação, as professoras e professores dão saltos qualitativos significativos em relação à reflexão e ação sobre suas práticas.

 

Por isso, sugerimos e esperamos que os processos de formação de professores em exercício estejam centrados nas escolas e que eles partam da premissa que os professores acumulam conhecimentos importantes. Reconhecer que há saberes relevantes, sobretudo do campo experiencial, acumulados pelos professores é fundamental para que sejam feitas as devidas conexões com os saberes teóricos. Estes são elementos indispensáveis a uma “boa docência”.

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