África: um encontro com a nossa identidade

África: um encontro com a nossa identidade

COLÉGIO SANTA MARIA

14 de janeiro de 2019 | 07h30

Autoria: Fabíola Iszlaji de Albuquerque, Haroldo Bueno e Tiago Fernandes de Souza

 

 “Olhamos para a África com valores europeus. É preciso uma ruptura para mudar a situação” – Mia Couto

A África foi objeto de estudo dos componentes de História, Geografia e Língua Portuguesa no 4º bimestre de 2018 do 8º ano do Santa Maria. Alunas e alunos desenvolveram trabalhos sobre o tema partindo de diversas propostas de investigação e produção de conhecimento.

O componente de História teve como objetivo pesquisar as origens dos africanos traficados para o Brasil como escravos entre os séculos XVI e XIX. Hoje, os países são Angola, Nigéria e Moçambique. Foram pesquisados a economia, a política, as línguas, as religiões, o clima, a vegetação, a localização geográfica, o turismo, a culinária, as músicas e as danças de Nigéria e Angola. Já Moçambique foi explorado nos seminários de Língua Portuguesa.

O Estudo do Meio, realizado em junho, buscou as origens imigrantes de paulistas e paulistanos. Para além, também investigou os principais grupos de imigrantes e refugiados que hoje chegam à cidade de São Paulo. Em meio à tanta diversidade étnica e cultural, bairros como o Bixiga, conhecido como italiano, foi a morada de muitos ex-escravos antes mesmo da chegada dos nascidos na Itália. Afrodescendentes e italianos conviveram juntos no bairro que tem como uma de suas principais ruas a de nome Treze de Maio, onde ocorre uma das maiores festas italianas da cidade, a de Nossa Senhora Achiropita. Além da rua que leva o nome da data da abolição da escravidão no Brasil, o bairro sedia uma das mais tradicionais escolas de samba da cidade, a Vai-Vai.

O jornalista, político e escritor pernambucano, José do Patrocínio (1854-1905), importante figura do movimento abolicionista, defendendo o fim da escravidão e a vergonha que representava, escreveu: “[…] O escravo assimilou a nação e se tornou o seu símbolo. Concentrando em si nossa riqueza, a nossa pátria está nos seus músculos […]. Conhecer Angola, Nigéria e Moçambique, mais do que um encontro com nossa identidade, é homenagear os músculos de nossa pátria-mãe gentil.

O componente de Língua Portuguesa fez a leitura do livro A menina sem palavras, de Mia Couto, e os estudantes puderam adentrar na poeticidade deste que é considerado um dos autores africanos mais importantes dos nossos tempos e que nos permite ver bem de perto a realidade do povo moçambicano após duas guerras por eles vividas (Independência e Civil) e que duraram juntas mais de vinte anos. No livro, é possível ver especialmente os traumas deixados na população e a esperança de dias melhores. Foi feita a leitura e análise da obra e produzidos seminários sobre aspectos da linguagem e poeticidade de Mia Couto, bem como aspectos físicos, geográficos e políticos de Moçambique.

No componente de Geografia, o objetivo do trabalho foi desconstruir os estereótipos que marcam a visão hegemônica sobre o continente. Apesar da África ser marcada por grandes problemas de ordem econômica, política e social, apresenta inúmeros superlativos e aspectos positivos, como sua impressionante riqueza de paisagens naturais e, fundamentalmente, sua grande diversidade étnica e cultural, que desde o século XVI, através de um processo de migração forçada, trouxe a esta margem do Atlântico importantes contribuições para a formação do povo brasileiro.

Os alunos, reunidos em grupos, realizaram pesquisas sobre as cinco regiões da África: Oriental, Ocidental, Central, Meridional (Austral) e Setentrional, segundo os critérios estabelecidos pelo Banco Africano de Desenvolvimento da África. Foram feitos levantamentos de dados sobre diversidade étnica, indicadores sociais, quadro natural e problemas políticos. Com os dados selecionados e tratados, os grupos produziram cartazes, apresentaram para os colegas e expuseram na sala.

O resultado foi uma visão mais ampla sobre o continente, seja para refletir sobre a construção de estereótipos criados, seja para entender de modo mais complexo as mazelas deixadas em algumas regiões, bem como para mostrar as belezas de África que muitos ainda insistem em não mostrar.

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