África & Brasil de muitas vozes

África & Brasil de muitas vozes

COLÉGIO SANTA MARIA

03 de junho de 2019 | 09h46

Cleber Teodoro Pereira da Silva, Carlos Colabone e Cleber Teodoro Pereira da Silva

 

A fim de trazer à luz o estudo de diferentes povos e culturas que contribuíram para a formação do Brasil, o 7º ano do Santa Maria inseriu no projeto da série a realização de um estudo sobre a influência dos povos africanos. Mais especificamente, a contribuição das culturas africanas na história do Brasil, em especial no campo das artes plásticas, na música e nas formas de expressão corporal. Nesse sentido, a cultura brasileira deve ser entendida como o conjunto de manifestações culturais que sofreram, em algum grau, a influência das culturas africanas, desde a chegada dos primeiros africanos escravizados ao Brasil até os dias de hoje. Não por acaso nos referimos a muitas manifestações como sendo afro-brasileiras.

O desenvolvimento do projeto foi realizado, no decorrer do 1º semestre, por meio de um trabalho interdisciplinar que mobilizou as áreas de Códigos e Linguagens (Educação Física e Artes) e a área de Ciências Humanas (História).  As contribuições do componente Educação Física levaram os alunos a uma reflexão e ação, no que tange à origem de algumas danças típicas de países do continente africano. Isso tudo por meio do estudo, conhecimento e reconhecimento de seus movimentos, ritos e ritmos específicos que influenciaram a nossa cultura. A dança, enquanto um processo educacional, não se resume simplesmente em aquisição de habilidades, mas sim à contribuição para o aprimoramento das habilidades básicas, dos padrões fundamentais do movimento, no desenvolvimento das potencialidades humanas.

Nesse sentido foi proposta uma atividade chamada de “Oficina do Corpo”, na qual os alunos foram convidados a realizar algumas aulas de ritmos e movimentos na sala de dança do Colégio. Os estudantes tiveram acesso a diferentes danças tradicionais de países do continente africano, explorando toda musicalidade, sons e movimentos característicos. A vivência na “oficina do corpo” dentro do espaço escolar favoreceu a criatividade, além de contribuir no processo de construção de repertório e ampliação de conhecimentos

Essa mesma perspectiva de um conhecimento a partir da experimentação foi ponto de partida para o “Ateliê de (África) artes”, trabalho desenvolvido em Artes Visuais. Nele, os alunos puderam, a partir do estudo das diversas linguagens visuais presentes nas culturas africanas, das pinturas, estamparias, esculturas e acessórios, descobrir caminhos que fossem possíveis de percorrer, como ponto de referência, para modificar e criar a partir de referências visuais pesquisadas, o figurino da apresentação da Festa Junina. Recriaram, nesse processo, um dos elementos mais fundamentais das culturas africanas, a relação profunda entre trabalho e aprendizagem, na medida em que ao pintarem e bordarem, literalmente, seus figurinos foram se aprofundando na análise dos padrões africanos de arte e seus significados. Corroboraram com esse processo a visita ao museu Afro-brasil, a exploração de seu acervo e as conexões estabelecidas ali entre cultura africana e afro-brasileira, assim como as pesquisas realizadas, em História, sobre as sociedades africanas e suas características.

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