Adaptação escolar: metodologia e parceria

Adaptação escolar: metodologia e parceria

COLÉGIO SANTA MARIA

18 de março de 2020 | 16h33

Autoria: Fernanda Inouye Miura e Karine Ramos

O processo de desenvolvimento emocional e social da criança se potencializa quando pais, mães e professores tornam-se parceiros. No Jardim I do Santa Maria, a família é convidada a participar mais de perto dos primeiros dias de aula, pois trata-se da primeira experiência social que a criança viverá longe desse núcleo conhecido. Essa relação de proximidade transmite à criança um maior acolhimento, segurança e apoio na ruptura do espaço familiar para o escolar.

A relação de confiança que se estabelece com as crianças a partir da parceria família e escola abre espaço para o novo, para as relações e aprendizados.

“O mais importante e bonito do mundo é isso:
que as pessoas não estão sempre iguais,
mas que elas vão sempre mudando” – Guimarães Rosa

Algumas crianças, quando chegam à escola pela primeira vez, necessitam de um tempo maior de adaptação. É comum encantar-se com os brinquedos, os espaços e os novos amigos no primeiro dia. Porém, quando o familiar que está acompanhando vai embora, algumas crianças choram e pedem pelos pais.

Crianças necessitam vivenciar rupturas, mas é necessário pensar em como lidar com isso. Nesse momento, precisamos estabelecer uma relação maior de confiança e vínculo, afinal, somos ainda desconhecidos para ela. A participação de um adulto da família (mãe, pai, avó etc) é essencial para sentir-se seguro no espaço novo.

Com Bernardo, de dois anos, aumentamos gradualmente seu tempo na escola, com convites para brincadeiras, muita meleca, faz-de-conta e trilhas na mata do Colégio até se adaptar com a rotina escolar. Já José precisou de um pouco de colo, brincadeiras com água e contação de história.

Nossa preocupação, como professores, é a criança em primeiro lugar. Por outro lado, o primeiro mês na escola é também um período de adaptação para pais e mães. Quando a parceria com a família acontece, as crianças são as maiores beneficiadas. Abaixo estão dois depoimentos que evidenciam a importância dessa parceria.

“Bernardo iniciou sua vida escolar este ano no Santa Maria e eu pude participar ativamente durante três dias em sua adaptação. Ele adorava a ideia de ir para a escola, mas a separação foi um processo duro, para ele e para mim, sofremos juntos.
Sem dúvida Miura e Tathi fizeram toda a diferença nesse processo, pois pude ver como elas cuidavam e dedicavam seu tempo com as crianças. Elas nos confortavam (mães), pois percebiam nossa angústia quando não sabíamos como as crianças ficariam durante as atividades tornando esse processo leve, calmo e tranquilo. Acolhiam e transmitiam muito amor e carinho para as crianças que estavam sentindo falta dos pais por estarem em um ambiente novo. Claramente as crianças foram se soltando e ganhando confiança na equipe. Posso afirmar que, tanto Miura quanto Tathi, conduziram muito bem o trabalho de adaptação e se empenharam com todas as crianças, sem exceção.
Para finalizar meu depoimento, gostaria de ressaltar o quão benéfico é quando a família pode estar perto e mais próxima da criança, o processo de adaptação se torna mais fácil. Tiveram a sensibilidade e leitura correta do tempo de cada criança, toda equipe pedagógica contribuiu para tornar o ambiente mais acolhedor. Assim os pais conseguiram ficar mais seguros com relação ao ambiente que a criança estaria. Transmitiram isso para eles, fazendo com que ficassem mais tranquilos” – Jenifer, mãe do Bernardo T. Andrade (Jardim I B)

“Nos primeiros dias, enquanto eu estava por perto, ele ficou muito bem. Mas logo na primeira semana, quando percebeu que eu o deixaria, começou a pedir para ficar junto dele na sala. Em casa chorava dizendo que não queria ir para a escola e também passou a acordar algumas vezes à noite.
Fiquei mais alguns dias por perto. Deixava José na porta da sala de aula e ficava na escola nas primeiras horas (à espera dele, caso fosse necessário). Mas logo foi criando vínculo com a professora e amigos. Quando menos esperei, já estava se despedindo sem chorar (isso quando não entrava correndo para brincar sem se despedir mesmo, né? Rsrsrs). Chega no fim do dia todo animado, dizendo que o dia dele foi MUITO LEGAL!!! Em menos de um mês agora, passou a acordar falando na escola. Está numa empolgação contagiante. Estamos muito felizes!” – Karina Peniche, mãe do José Geraldo (Jardim I B)

 

 

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: