Ação social e construção cidadã por meio do trabalho com idosos

Ação social e construção cidadã por meio do trabalho com idosos

Colégio Santa Maria

08 de novembro de 2019 | 07h30

“Nossas atividades vão muito além de colocar sorrisos nos rostos daqueles idosos, até porque nossa maior recompensa são os conhecimentos adquiridos ao escutar a vivência de pessoas com as mais variadas histórias”. Assim Maria Fernanda Quintas, aluna da 3ª série, define o significado da Inserção Social do Santa Maria no trabalho com o Centro de Acolhida Jardim Umuarama. Quinzenalmente os alunos e alunas do Colégio atravessam a Avenida Interlagos, na Zona Sul de São Paulo, para desenvolver atividades, planejadas coletivamente de antemão, com dezenas de idosos que moram no local.

O projeto, batizado de Inserção Social, entende que as/os adolescentes precisam construir saberes ligados ao convívio coletivo, vivenciar situações-problema que exijam a organização dos conhecimentos e habilidades para compreender a realidade e/ou construir soluções através da ação no meio social, ou seja, por e com a interação entre os indivíduos.

Assim, na contramão de uma experiência social típica da modernidade que leva os sujeitos ao isolamento e à construção de relações cada vez mais mediadas por interações virtuais, o Colégio Santa Maria aposta no relacionamento intergeracional, no convívio com o diferente e no contato como forma de aprendizagem e, sobretudo, de humanização dos jovens em seu processo de formação e dos idosos em busca da qualidade de vida no seu processo de envelhecimento.

A escolha por envolver jovens e idosos, favorecer o encontro de gerações distintas, se explica por um lado pela necessidade de oferecer as/aos adolescentes o encontro com a sua própria historicidade, ou seja, perceber-se como parte e fruto de uma coletividade que extrapola a si e o seu convívio familiar mais íntimo, traduzidos em movimentos e experiências históricas. De outro lado, oferecer aos idosos oportunidades de uma experiência de envelhecimento mais ativa, com atividades físicas e intelectuais, de valorização de sua história pessoal e da troca de afetos.

As atividades desenvolvidas pelos adolescentes no Centro de Acolhida são realizadas por meio de uma reunião envolvendo todos, inclusive os idosos, a fim de entender as suas demandas e equacionarem com as possibilidades e interesses dos jovens. Anualmente a programação mantém ações tradicionais como Bingo e Sarau e se modifica face às propostas encaminhadas, como as aulas de bolas de gude e peão oferecidas pelos idosos aos adolescentes. Dentre as novas iniciativas, neste ano realizamos o primeiro dia da beleza com as mulheres do Centro, como explica a aluna Maria Fernanda:

“Uma de minhas experiências favoritas foi quando fizemos um dia da beleza com as mulheres de lá, hidratando seus cabelos e fazendo maquiagem nas que quisessem. Elas estão em bem menor número no centro e raramente participam das atividades propostas por nós, porém muitas delas participaram desse dia, o que foi muito gratificante. Nós ouvimos por horas os relatos de várias vivências extremamente difíceis e histórias fortíssimas de resiliência, coisa que abriu meus horizontes sobre o quão próximos podem estar relacionamentos abusivos. As atividades no centro, para mim, além de funcionarem como um perfeito fechamento para minha semana, são, acima de tudo, momentos de aprendizado. Tanto que eu sempre saio de lá com um sorriso no rosto e novas reflexões!”

Como é possível perceber pelo depoimento, a experiência de atuação no C.A. atinge tanto valores, como a ética e respeito à diversidade, constrói relações de afeto e proporciona a reflexão sobre processos sociais complexos que atingem uma grande parcela da população feminina, jovens e idosas, como é a relação abusiva e a violência contra a mulher.

A aluna Helena de Munno, da 3ª série, participa do projeto desde o primeiro ano e, no decorrer desse processo de construção e formação, oferece a síntese da importância desse trabalho para nossos alunos e alunas: “Não se pode dizer que há uma experiência singular no Centro de Acolhida. Cada um, em contato com diferentes pessoas, traz diferentes bagagens desse lugar.  Posso dizer que desde sempre trago comigo um carinho enorme por esse lugar e por seus moradores. É um privilégio poder sentar mais uma vez por semana com eles e ouvir o que têm a nos dizer e aprender com isso. (…) Seria ousadia da minha parte pensar que mudamos a vida deles, mas eles com certeza mudam a nossa, pode ser por meio de um abraço, uma conversa, um poema. O Centro é, com certeza, uma grande biblioteca, com diferentes histórias, de diferentes pessoas”.

 

 

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