A utilização pedagógica do ARG – O fio de Ariadne

A utilização pedagógica do ARG – O fio de Ariadne

Colégio Santa Maria

28 de junho de 2019 | 07h45

Autoria: Adriano Silva dos Santos

Neste mesmo blog já publiquei um texto sobre o potencial pedagógico do ARG (Alternate Reality Game). Trata-se de um jogo em que uma narrativa vai se desenvolvendo conforme os participantes superam determinados desafios e enigmas, tanto no universo da internet quanto em espaços concretos. Envolvendo os alunos de maneira bastante ativa, o jogo permite o desenvolvimento de uma série de habilidades necessárias ao contexto atual, como trabalho em grupo, construção coletiva, pesquisa na internet, checagem de fontes, interpretação de texto, seleção e análise de dados etc. E tudo isso de uma maneira que envolva várias áreas do conhecimento. Dessa forma, cria-se mais aproximação com a realidade do mundo, que sempre é complexa, construída por muitos fatores, em vez de ser algo fragmentado, estático.

Neste ano, o ARG no Ensino Médio do Colégio Santa Maria teve como ponto de partida o filme A Origem, de Christopher Nolan. Tanto é que a mentora dos participantes no jogo é a personagem Ariadne, presente na obra cinematográfica. Assim como ajudou Teseu a sair do labirinto do Minotauro, na história mitológica, a Ariadne do ARG auxilia os jogadores pelos meandros da narrativa deste ano, que recebeu, justamente, o título de “O labirinto”. É ela que avisa quando elementos importantes da história estão disponíveis, como um novo trecho do diário de Alice, a misteriosa personagem desaparecida. Também partiu de Ariadne (meu avatar dentro da história) a pista que levou ao vídeo no qual os alunos tinham que identificar a presença de uma mensagem em código Morse e decifrá-la.

O ARG deste ano ainda está em andamento, com muitos eventos e surpresas no enredo até seu desfecho, que deve acontecer entre o final de outubro e início de novembro. Em alguns momentos, os caminhos trilhados pela história serão, em certa medida, definidos por escolhas dos próprios participantes. Dessa maneira, o papel dos alunos torna-se mais ativo, pois são, também, responsáveis pela condução da narrativa que vão descobrindo aos poucos.

Somos seres humanos e, consequentemente, profundamente ligados ao contar e ouvir histórias. Fomos, gradativamente, sendo construídos por narrativas significativas em nossas caminhadas. Por meio de histórias descobrimos mais sobre nós mesmos. Assim, colocar os alunos dentro de uma narrativa que eles mesmos ajudam a contar pode ser uma ferramenta de muito valor não só para desenvolver habilidades mais acadêmicas, mas também para servir como um espaço de experiência, de autoconhecimento.

Teseu e Ariadne à entrada do labirinto. Pintura de Richard Westall, 1810.

Tudo o que sabemos sobre:

Colégio Santa Maria

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: