A tecnologia a favor da aprendizagem

A tecnologia a favor da aprendizagem

Colégio Santa Maria

03 Outubro 2016 | 08h57

Autoria: Haroldo Bueno e Ariete F. Moreira
Cada vez mais, o uso de tecnologias digitais vem promovendo maiores oportunidades de aprendizagem nas instituições de ensino de diferentes níveis e, nesse sentido, os dispositivos móveis tornam-se um importante recurso educativo para jovens e adolescentes. Essa geração de “nativos digitais” já surgiu dominando os dispositivos de tecnologia móvel e, quando estimulados de forma adequada e com objetivos pedagógicos, são capazes de assumir o protagonismo no processo de ensino-aprendizagem dentro e fora da sala de aula.

Pelo segundo ano consecutivo, os alunos 8º ano do Colégio Santa Maria substituíram as tradicionais apostilas impressas por seus smartphones no estudo do meio pelos bairros do Brás, Bixiga e Barra Funda. Munidos de seus dispositivos móveis e equipados do aplicativo pensado e desenvolvido pelos professores, a partir de um software livre (www. fabricadeaplicativos.com.br), a garotada teve oportunidade de investigar, compreender e refletir sobre os diversos processos migratórios que contribuem para a formação da identidade cultural da cidade de São Paulo, coletando e armazenando sons, imagens e depoimentos ao longo do roteiro proposto pelo estudo do meio.

Além de ambientalmente sustentável, uma vez que foram deixadas de ser produzidas centenas de apostilas com significativa economia de papel e tinta, o uso de dispositivo de tecnologia móvel cria uma maior aproximação do cotidiano de aprendizagem escolar com a realidade do aluno.

Durante o mergulho nos tradicionais bairros paulistanos do Brás, Bixiga e Barra Funda, os alunos do 8º ano visitaram o Museu da Imigração e compreenderam a importância do imigrante na construção de nosso identidade e história. No Bixiga, na Bela Vista, os alunos foram divididos em grupos e se depararam com importantes marcos da cultura italiana, como a Igreja da Achiropita e cantinas típicas. Também tiveram oportunidade de colher depoimentos e pensar sobre os novos fluxos de imigrantes e refugiados acolhidos pelo CRAI ( Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes) e pelo Instituto Lygia Jardim, importantes instituições de atendimento especializado a pessoas estrangeiras em situação de risco e necessidade jurídica.

A Vila Itororó, conjunto arquitetônico construído no início do século XX e atualmente em processo de restauro, também foi visitada, o que oportunizou aos nossos alunos o acompanhamento desse processo e a compreensão da formação da própria cidade, ao mesmo tempo em que foram estimulados a reconhecer a importância da preservação do patrimônio público e da apropriação do mesmo pela coletividade. Por fim, o roteiro do estudo do meio levou os alunos a uma viagem de Metrô até a Barra Funda, onde terminamos nosso processo investigativo no Memorial da América Latina, um complexo arquitetônico projetado por Oscar Niemeyer e idealizado por Darcy Ribeiro.

Depois dessa riquíssima experiência vivenciada e da coleta de dados, imagens, sons e registros pessoais, os alunos, divididos em grupos, deram início ao trabalho de pós campo. Foram destinadas algumas aulas para a seleção de imagens, transcrições de depoimentos, produção de textos e discussões acadêmicas sobre todo o material coletado no campo e, finalmente reuniram todo este aprendizado em aplicativos para dispositivos móveis produzidos por eles mesmos que seriam, mais tarde apresentados ao pública na Semana de Pe. Moreau. Nesse trabalho de pós–campo, os alunos também produziram e encenaram uma peça teatral sobre os três bairros, Brás , Bexiga e Barra Funda, abordando seus aspectos culturais e sociais no início do século 20 e agora, no século 21. Foi um sucesso estrondoso! Esses oitavos anos mostraram muita sensibilidade no entendimento da obra literária “Brás Bexiga e Barra Funda”, de Alcântara Machado e no estudo do meio.

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