A que cidade temos direito?

A que cidade temos direito?

Colégio Santa Maria

24 de setembro de 2019 | 07h30

Autoria: Carolina Ferrucci Monção

 

O Ciclo Democracia é um evento bienal organizado pela Equipe de Ciências Humanas do Colégio Santa Maria (Ensino Regular e Educação de Jovens e Adultos) que tem como objetivo trazer à tona discussões fundamentais para a compreensão da conjuntura política e social brasileira. Neste ano, com o título Políticas Públicas: Instrumentos de afirmação da Democracia, as temáticas pautaram-se em três eixos: Reforma da Previdência, Direito à Cidade e Políticas Afirmativas.

Em 6 de setembro, para tratar do direito à cidade, tivemos a honra de receber o Conselheiro do Tribunal de Contas do Município de São Paulo, Maurício de Faria, e o Deputado Estadual por São Paulo, professor Carlos Alberto Giannazi, para contribuir com seus estudos e experiências em relação ao acesso aos equipamentos e espaços públicos na cidade de São Paulo.

Daniel Abrão, professor de História e Atualidades da EJA, fez a abertura explicando a dinâmica de sabatina e também foi responsável, juntamente à aluna Mariam Khaled Ghandour, 3º Ensino Médio da EJA, por organizar as perguntas do público e enviá-las à mesa dos convidados, coordenada pela professora Carolina Ferrucci Monção, professora de Geografia e Atualidades, também da EJA.

A sabatina se deu de maneira a responder questões do público (formado por estudantes, professores, famílias de alunos e todos os presentes) sobre a moradia, lazer, mobilidade urbana, violência, entre outros temas.

Em relação à moradia, Carlos Giannazi explicou como e por que ocorrem as ocupações de prédios na cidade, principalmente, aqueles que são abandonados e não estão, portanto, cumprindo sua função social prevista na Constituição Federal de 1988. Nesse contexto, segundo ele, as ocupações são a forma contundente de os movimentos sociais chamarem a atenção do poder público para o déficit habitacional do município.

Sobre o acesso e uso dos espaços públicos para o lazer, Maurício de Faria citou com entusiasmo a Avenida Paulista que, há alguns anos, está fechada para os carros, aos domingos, permitindo à população desfrutar do espaço para atividades como dança, patinação, ciclismo, passeios a pé entre familiares e amigos. Torna-se, assim, um espaço de convívio de diferentes classes sociais.

Exemplos de espaço de lazer também existem na periferia, como a Cooperifa que, há 30 anos, promove atividades culturais de dança, cinema, literatura e circo no Jardim Guarujá (Zona Sul). O famoso Sarau e o Cinema na Laje foram lembrados por Carlos Giannazi como prova de que na periferia também se faz arte e é também lugar de apreciação cultural.

Os dois convidados foram enfáticos ao afirmarem que a mobilidade urbana é, sem dúvida, um fator decisivo no acesso à cidade: as pessoas precisam ter como chegar aos diversos espaços da cidade para, então, se apropriar deles e do que a cidade de São Paulo pode (e deve) oferecer aos seus cidadãos.

O evento foi fechado por Gabriel Zecchin, professor de História e Atualidades da EJA, salientando a necessidade de continuação de debates como esse para esclarecer nosso papel em nossa sociedade, que ainda carece de muitas políticas públicas eficazes.

 

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